terça-feira, 26 de outubro de 2010

GEORGES BRAQUE


(1882-1963)


“Amo a regra que corrige a emoção. Amo a emoção que corrige a regra.”



Georges Braque era filho e neto de pintores. Foi criado em Le Havre e, ali, estudou na École des Beaux-Arts de 1897 a 1899. Mudou-se para Paris e estudou com um mestre decorador em 1901. A aprendizagem técnica lhe fez entrar adulto na escola de Belas Artes do Havre e posteriormente no ateliê do pintor Lécin Bonnat, um bom retratista de personagens famosos. Contudo, a influência decisiva que Paris exerceu sobre ele foi através das salas do Louvre dedicadas à escultura egípcia e grega primitiva.


Seu estilo inicial era impressionista. Entre 1902 e 1904, foi aluno da Academie Humbert, também em Paris. Lá, fez amizade com Marie Laurencin e Francis Picabia. Em 1907, depois de alguns meses em Antuérpia, participou de uma exposição do Salão dos Independentes (Paris), atraído por Matisse e por seu movimento, se uniu ao Fauvismo durante dois anos (1905/7), no entanto, ele mostrou interesse em solidez arquitetônica de composição e de uma forte ênfase em volumes definidos ao invés de cores e pinceladas.

“Large nude”, 1908.


Porto na Normandia, 1909.


De 1910 a 1912, realizou as obras que hoje são conhecidas como cubismo analítico. Um exemplo desse estilo é “Violino e jarro” (1910).



Violino e castiçal”, 1910.


“Natureza morta”, 1911.

A “Natureza morta” não se compõe apenas de vegetais, objetos ou animais, como geralmente ocorre com as naturezas-mortas. Com características do Cubismo Sintético, a pintura insere-se na linguagem inicial dos “pappiers collés”.
Ao pintar letras que depois serão coladas, que remetem a caracteres jornalísticos, junto a elementos naturais tradicionais, sua natureza morta ganha um outro, comum ao cotidiano do homem moderno: o jornal - que traz, na velocidade da era industrial, os últimos acontecimentos. Por outro lado, não deixa de conter em si o orgânico - a celulose -, que faz com que se incorpore ao quadro sem entrar em conflito com os outros itens, mas como um dado novo que a eles se soma. O preto, o acinzentado, os marrons, ocres, os tons amarelados remetem, desse modo, à terra: o vaso provém da cerâmica - o barro -, assim como o papel da madeira - a árvore - e, assim, os frutos e folhas. Todos se mesclam: as linhas se interseccionam levando à fusão dos elementos. O que se vê são dados, sugestões do que eles são. Ao se fundirem, confundem-se, lembrando sua mesma origem. São corpos independentes que, em sua coesão, revelam-se como sendo um só. E por serem independentes, ao mesmo tempo em que se completam, esses elementos aparecem como fragmento, recorte do real, peças de um mosaico no qual o que se vê são também sugestões do que são, agora sob uma outra óptica.


“O Português”, 1911.



Um notável exemplo do Cubismo Analítico, mostrando o efeito característico de revelo aberto nesse gênero de pintura e sua tendência para a monocromia; embora, BRAQUE, no que talvez seja um estilo peculiarmente francês, inclua matizes delicadamente variados em sua limitada gama de cores, assim como a pincelada muito agradável.
A introdução de letras em vários lugares aumenta a ambigüidade espacial do quadro, ao mesmo tempo acentua também a qualidade ilusória de tudo, salvo as letras.


“Fruitdish e Glass”, 1912.


“Mulher com guitarra”, 1913.

As pinturas deste período são todos executados em verdes suaves, cinzas, ocres e marrons.
Os objetos são fragmentadas, como se viu a partir de múltiplos pontos de vista.
Essa multiplicidade introduziu o elemento de tempo para a visão.
Esses fragmentos, ou cubos, estão organizados em uma grade, criando uma estrutura compacta pictórica.
Em 1912, Braque e Picasso começaram a incorporar em suas pinturas a técnica da colagem com papel, jornais e aglomerado de madeira. Realizou igualmente esculturas cubistas e obras de cerâmica, além de se dedicar à ilustração de livros e a trabalhos de decoração.
A parceria duraria até 1914, quando estourou a Primeira Guerra Mundial e Braque foi convocado e ferido em combate.
Em 1922, expôs no Salão de Outono (Paris), o que lhe rendeu fama. Fez ainda a cenografia para dois balés de Sergei Diaghilev.
Cerca de 1930-1931 Braque mudou-se para a costa da Normandia, na França. Como resultado, ele mudou os temas de suas pinturas; banhistas, cenas de praia, e agora marinhas foram seus temas prediletos.
Em seguida, elaborou as primeiras gravuras e começou a utilizar motivos mitológicos. Sua pintura tornou-se então mais lírica.


Durante a Segunda Guerra Mundial, recolheu-se a Varengeville e trabalhou com litogravura, gravura em metal e escultura.
A partir do fim da década de 1940, sua arte foi elaborada com temas melancólicos e passou pintar pássaros, paisagens e marinhas.
As telas de Braque feitas durante a década de 1950 mostram um retorno às cores brilhantes do período de Fauve.
Em 1953, o Museu do Louvre, em cujo teto Braque pintara um afresco (Sala Etrusca), expôs sua obra, sendo a primeira vez que um artista vivo expunha no museu parisiense.
Em 1954, desenhou os vitrais da igreja de Varengeville e, em 1958, participou da Bienal de Veneza, que lhe dedicou uma sala especial.
Ativo até o final de sua vida, mesmo com problemas de saúde, Braque dedicou-se à escultura, gráficos, ilustrações de livros, joalheria e artes decorativas.


“Os pássaros”, 1960.


Braque acreditava que um artista experimentava a beleza "... em termos de volume, linha, massa, peso, e através da beleza que ele interpretava como uma impressão subjetiva..." (...) " objetos despedaçados em fragmentos... como uma maneira de obter de perto o objeto... A fragmentação ajudou-me a estabelecer espaço e o movimento no espaço...". Adaptou também uma paleta de cor monocromática e neutral na qual ele acreditava que podia trabalhar simultaneamente com a forma, interferindo com a visão de concepção de espaço; e focando, na distração, a observação da matéria do quadro.
Embora, com o emergir do Surrealismo, Braque começa-se a incorporar os elementos surrealistas nos seus trabalhos finais, tais como a exploração do uso da cor e menos objetos abstratos, mas continuou um forte devoto da sua ideologia cubista da perspectiva simultânea e da fragmentação.

2 comentários:

Camila Costa disse...

Essa sua postagem realmente me ajudou muito para entender mais sobre cores, linhas, planos etc .. E eu vou fazer um seminário sobre Braque essa segunda feira, de História da Arte III, e curso Arquitetura e Urbanismo, de segundo ano. Espero que você continue postando mais sobre artes. Te coloco como favorito!!!!

Beijos, Camila.

Camila Costa disse...

Essa sua postagem realmente me ajudou muito para entender mais sobre cores, linhas, planos etc .. E eu vou fazer um seminário sobre Braque essa segunda feira, de História da Arte III, e curso Arquitetura e Urbanismo, de segundo ano. Espero que você continue postando mais sobre artes. Te coloco como favorito!!!!

Beijos, Camila.