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domingo, 12 de agosto de 2012

CINDY SHERMAN (1954): MELODRAMA EM FOTOGRAFIAS



Cindy Sherman nasceu em 19 de janeiro de 1954, em Glen Ridge.  Logo após o seu nascimento, sua família se transferiu para a cidade de Huntington, Long Island.
Estudou no Buffalo State College entre 1972 e 1976, onde despertou o gosto pela pintura. No entanto, sua limitação com essa arte, levou-a ao campo da fotografia, que considerava como o meio de expressão apropriado à sociedade, dominada pelos meios de comunicação.

Não havia mais nada a dizer – sobre a pintura”, ela relembrou mais tarde. “Eu estava meticulosamente copiando a arte de outros e então eu me dei conta que eu poderia somente usar uma câmera e colocar em prática uma ideia instantânea.

Em 1976, formou-se em Fotografia, iniciando sua carreira em Nova York, tornou-se uma das grandes expoentes da arte contemporânea.
Nos anos setenta Cindy Sherman começou a desenvolver seu percurso artístico em torno da fotografia como suporte das muitas figuras passíveis de ser retratada a partir de sua própria pessoa, assim, a artista realiza, por meio dela, uma denúncia dos lugares estereotipados de sujeição destinados à mulher em nossa sociedade.
Ainda que, esses auto-retratos assemelham-se a uma atitude narcisista, introspectiva e de sensualidade, a artista esclarece que: “são retratos da emoção personificada e não retrato meus. Tento fazer as pessoas reconhecerem alguma coisa delas mesmas, e não minhas”.
Cindy Sherman empresta seu corpo em prol da arte e trabalha em séries temáticas.

“Tento sempre distanciar-me o mais que posso nas fotografias. Embora, quem sabe, seja precisamente fazendo isso que eu crio um auto-retrato, fazendo essas coisas totalmente loucas com esses personagens, diz, mas seria possível?”

A partir dessas obras, Sherman levantou questões sobre a feminilidade na sociedade, na mídia e na arte. Para criar suas fotografias, Sherman assume várias funções: fotógrafa, modelo, maquiadora, estilista, cabeleireira e com esses apetrechos cria uma diversidade de quadros vivos e personagens perturbadoras.
Uma de suas séries mais famosas, “Untitled Film Stills”, desenvolvida de 1977 a 1980, contém 69 fotografias em preto e branco ou colorido, de personagens femininas sempre representadas pela própria artista. Essas imagens nos lembram de forma indireta as divas cinematográficas hollywoodianas ou pinturas de grandes mestres, dos anos 40 e 50, capturadas em cenas de filmes “noir”, ou então em momentos de descontração na intimidade de suas casas.


Essas figuras aparecem sempre solitárias e nos remetem à sensualidade, ao luxo, bem como ao suspense, a solidão e ao conflito promovido pelas circunstâncias nas quais se encontram.


Cindy Sherman, com essa série, denúncia de forma irônica os diversos estereótipos reservados às mulheres que povoam o imaginário de nossa época, marcado pela influência midiática, dos filmes às propagandas televisivas.
O reconhecimento da artista veio com essa primeira série, como também, a sua popularidade junto ao movimento feminista e prolongou-se durante toda sua carreira.
A força dessas imagens e sua influência na construção das identidades são retratadas sem mencionar de quem se trata, ou em que circunstância. Além de dispor suas personagens em posições nas quais elas parecem estar sendo olhadas e isso implica a co-participação do espectador da obra, encerrando a imagem em si mesma ou se abre para o espectador através do artifício do olhar.
Em suas séries subsequentes, como as “Rear Screen Projections” e as “Centerfolds or Horizontals”, o absurdo atinge o ápice do horror. A artista passa a se utilizar de revelações em grande formato, inspiradas ora nas emissões televisivas com seus cenários visivelmente falsos ora confinadas a um movimento da câmera que as coloca nos ângulos e posições frequentemente utilizados em revistas pornográficas.
Na série “Fashion Photos” encontra-se fotografias inspiradas pelos editoriais de moda, em personagens apavorantes, grotescas, estranhas, loucas e sinistras. É como se retratasse um desfile de horror e a decadência da mulher, destituída de todas as glamourosas imagens.


 Nas séries “Fairy Tales”, “Disasters”, “Civil War”, “Sex Pictures”, “Horror and Surrealist Pictures”, “Masks” e “Broken Dolls” a ironia dá lugar ao horror e atinge à completa dissolução da figura humana, relegados aos dejetos, às excrescências, à carne, ao sangue, à sujeira, ao informe.


Utilizando-se de uma iluminação sombria e da visão de figuras burlescas, criadas com o uso de máscaras sobrepostas em camadas e próteses, aproximou o feminino do grotesco como absurdo, simulacro, revelação da farsa da revelação, automatismo, inumanidade mascarada de humano e tudo o mais que seu desfile de horrores e decadência é capaz de produzir.
Dessa forma, somos reenviados aos cenários e personagens desprovidos de sentido da alusão aos contos de fada em seu viés aterrorizante, de amontoado de bonecos, de monstros e combinação de pedaços de manequins colocadas em poses sexuais, que remetem ao estranho.  



Em “Masks” e “Broken Dolls” o inumano de máscaras distorcidas e mutiladas não esconde mais nada detrás de si. A própria máscara tem vida do mesmo modo como as bonecas despedaçadas e colocadas em posições obscenas também soam absurdas, desligadas de qualquer possibilidade de vinculação com algo da esfera do humano.


Nessas séries não há mais a sedução da figura com seu olhar perdido nas fotografias anteriores. Mantém-se, no entanto, um desconforto, que é aumentado pela artificialidade da composição tão explicitamente revelada quanto o sexo das figuras fotografadas.
Na série “Bus Riders”, a artista apresenta seus personagens com suas vestimentas, sentados em um barquinho, com um disparador da câmera fotográfica nas mãos. O irônico está em que aquelas figuras jovens, velhas, homens e mulheres se desconstroem ante os olhos do espectador desde que constatemos o disparador da máquina.


A ironia em Sherman está em apresentar uma cena e simultaneamente a construção da cena como farsa da composição artística.
Já em “History Portraits” ou “Old Masters”, a artista presta tributo aos grandes mestres da pintura, reproduzindo em suas criações fotográficas aquilo que parecem ser telas de pintores dos séculos precedentes, que aparecem como referência nas formas da composição, no uso das cores e da luz, e principalmente nos motivos ou temas de cada obra: madonas, personagens mitológicos ou nobres com suas ricas vestimentas e adornos.



Em 2004, o brilho irrecuperável das primeiras séries reaparece aqui como cru e franca decadência na série “Clowns”. Nela encontramos figuras mais grotescas do que ridículas, com seus sorrisos assustadores, imagens fantasmagóricas frente a um fundo de cores fortes e marcantes, excesso de vivacidade de onde brotam como máscaras da morte, satirizando uma suposta felicidade.


Os clowns retornam os objetivos principais da arte de Sherman: personificação do grotesco e da ironia, que sorriem para o espectador de forma terrível e ameaçadora.


Em 2011, uma de suas fotos foi vendida na casa de leilões Christie’s por 3,9 milhões de dólares, tornando-se, na época, a mais cara fotografia vendida em um leilão de arte. 









segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

FOTOGRAFIA

Raio X de uma Máquina Fotográfica


Fotografar é colocar na mesma linha de mira a cabeça, o olho e o coração. “


Henri Cartier-Bresson


I – DADOS CRONOLÓGICOS:

Em 1826, o químico francês NICÉPHORE NIÉPCE (1765-1833) realizou a primeira experiência fotográfica: uma vista do pátio de sua casa. Para conseguir tal proeza, NIÉPCE deixou uma placa de estanho polido em sua exposição durante oito horas.


II – CONTEXTO HISTÓRICO-CULTURAL:


Em 1837, LOUIS-J.M.DAGUERRE (1789-1851), inventou um processo mais prático de fotografia.

Sua primeira fotografia, “Natureza-morta”, representava um canto de seu ateliê, que teve que ficar exposto de dez a quinze minutos.


Em 1839, DAGUERRE tirou a primeira fotografia conhecida de um ser humano. Era de um bulevar parisiense, onde uma multidão de pedestres caminhava apressada e um engraxate trabalhando, que se dispôs a ficar parado posando para a fotografia.



WILLIAM HENRY FOX TALBOT (1800-77) aperfeiçoou o processo de fotografia inventando os “calotipos” (os negativos).




Ele começou a fazer experiências prensando folhas, penas e pedaços de renda contra papel preparado que era exposto à luz do sol.



Suas impressões finais de imagens projetadas eram manchadas em comparação com os daguerreótipos nítidos, mas eram obtidas com negativos de papel e impressões em papel.


Estúdio de Talbot em Reading.


O Primeiro Negativo por volta de 1835, janela da casa de Talbot em Lacock Abbey


Em 1851, um processo chamado chapa molhada reduziu o tempo de exposição para segundos e produziu impressões quase tão exatas quanto às de DAGUERRE. Em seguida, foi inventado o tipo de metal, com a imagem numa chapa de metal fina, em vez de vidro delicado.
Então, a placa seca liberou o fotógrafo de ter que correr imediatamente para a câmara escura. Não só a imagem se mantinha por mais tempo antes de ser revelada, como a velocidade da exposição era tanta que o fotógrafo não mais necessitava de tripé.
Por volta de 1858, a fotografia instantânea substituiu o daguerreótipo.
Nos anos 1880, as câmeras portáteis de mão e o filme em rolo tomaram a cena.

III – TIPOS DE FOTOGRAFIAS:

- FOTOGRAFIA DE VIAGEM: profissionais documentavam maravilhas remotas, exóticas de lugares distantes. Exemplos: as esfinges do Egito; a erupção do Velho Fiel; as cataratas do Niagara e o Grand Canyon.


- FOTOGRAFIA DE GUERRA: MATTHEW BRADY (1823-96) registrou em mais de sete mil negativos, os horrores da Guerra Civil. Sua câmara escura, conhecida pelos soldados por “Whatsit” (“O que é isso”) era alvo do fogo inimigo. Como levava três minutos para fazer uma impressão numa chapa, BRADY ficava limitado a fotografias de soldados fazendo pose e de cadáveres nas trincheiras.

As fotografias de esqueletos com os cantis pendurados registraram a dura realidade da guerra com autenticidade até então desconhecida.






-         FOTOGRAFIA DOCUMENTAL: JACOB RIIS (1849-1914) foi repórter de polícia em Nova York. Depois de inventado o flash de pólvora (equivalente à lâmpada de flash moderna), passou a fotografar os esconderijos de ladrões, oficinas de trabalhadores mal pagos e moradias pobres.




-         FOTOGRAFIA-RETRATO: NADAR (1820-1910) fotografou as principais figuras artísticas de Paris em 1853. NADAR esteve entre os primeiros a usar luz elétrica nas fotografias e inventou a fotografia aérea, pairando sobre Paris num balão de ar quente.






- FOTOGRAFIA DE ARTE: JULIA MARGARET CAMERON (1815-79) foi a primeira a ter lentes especiais, que produziam um efeito de foco suave nas suas fotografias de gênero, alegóricas e muitas vezes excessivamente sentimentais.






IV – A MAIORIDADE DA FOTOGRAFIA:


Na era vitoriana, os fotógrafos respondiam às críticas de que seu trabalho não era arte com imitações da pintura acadêmica.
Com os recursos do quarto escuro, produziram cenas aprimoradas com o foco difuso. Na virada do século, a onda modernista influenciou os fotógrafos de vanguarda para expressarem sua visão pessoal do mundo.
Livrando-se do complexo de inferioridade, eles se concentraram em composições tensas e na forma pura.

MAN RAY (1890-1977): Um expoente do Dadá e do Surrealismo. Por volta de 1921, desenvolveu uma técnica que ele chamou de “Rayographs” (consiste em colocar objetos sobre papel fotossensível e expô-los à luz. O resultado, nocivo à fotografia propriamente dita, lembra colagens cubistas).






ATGET: Pai da fotografia moderna, ATGET foi eleito um ancestral do Surrealismo.

Fazia fotos bem objetivas de Paris, seus habitantes e de sua vida nas ruas. Fotografou grades de ferro trabalhado, vitrines de lojas, fontes e outros temas do gênero. Seu estilo limpo e enxuto, seu olho para os detalhes reveladores carregam de significação as imagens mais comuns. Suas cenas arrebatadoras às vezes parecem assombradas, e a arrojada redução aos essenciais empresta uma hiperclaridade que faz o ordinário parecer o extraordinário.








CARTIER-BRESSON: Sua maior contribuição ao foto jornalismo é a sua habilidade para captar o que ele chama de “momento decisivo”. CARTIER-BRESSON captura o instante de ação ou emoção mais intenso revelando um sentido interno do evento.

Muitas fotos de CARTIER-BRESSON têm um elemento Surrealista do inesperado. As esquisitas justaposições enquadradas pela câmera fazem a realidade parecer irreal. Algumas imagens são tão espantosas que parecem resultar de um puro acaso, mas na verdade os insólitos recortes do fotógrafo são cuidadosamente compostos.






STIEGLITZ: Revolucionou o trabalho da câmera enfatizando a fotografia “direta”, sem retoque. Ele conclamava os fotógrafos progressivos a não imitar a pintura e não usar recursos de lentes e luz, a fim de explorar a honestidade direta do seu instrumento.






WESTON: Começou como fotógrafo comercial, fazendo fotos românticas de estrelas de Hollywood. Por volta dos anos 20, WESTON trocou os truques de quarto escuro por imagens puras de nus, dunas de areia e legumes. WESTON extraiu a forte sensualidade de formas simples como um tronco de palmeira, a uma simplicidade semi-abstrata.




LANGE: Depois da queda da bolsa em 1929, DOROTHEA LANGE acompanhou os sem-teto que haviam sido expulsos das fazendas Dust Bowl. Sua compaixão ajudou-a a captar os momentos mais pungentes da vida e dos sentimentos humanos.






V – AS NOVIDADES DA FOTOGRAFIA:


A fotografia “direta”, sem retoques, contou com defensores até a Segunda Guerra Mundial e depois cedeu lugar a uma utilização mais subjetiva do veículo.
Nesse novo estilo introspectivo, mais do que apresentar informação objetiva em forma documental, a câmera expressa sentimentos e manipula a realidade para criar símbolos e fantasias.

ABBOTT: A fotógrafa americana BERENICE ABBOTT, tornou-se conhecida devido à série de cenas de ruas de Nova York, produzida nos anos 1930. Ela emoldurava dinamicamente as composições, jogando o foco em ângulos agudos para o alto ou para baixo, a fim de captar a vitalidade da cidade.







BOURKE-WHITE: A fotógrafa americana MARGARET BOURKE-WHITE foi contratada para a revista “Fortune” para fotos belas e factuais. Seu impulso obsessivo para a perfeição da composição levou-a a fazer “foto ensaios” clássicos, levando a milhões de leitores a realidade das indústrias americanas e soviética e imagens da Depressão nos Estados Unidos.







ADAMS: ANSEL ADAMS fotografou o Yosemite, sendo cada uma delas a tradução perfeita da natureza virgem. Evitando ângulos de câmera artificiais, ele visualizava antecipadamente a imagem final numa câmera com formato amplo de visão. Isso lhe permitia captar a cena com riqueza de textura, meticulosidade de detalhes e um espectro tonal infinito do claro ao escuro. As tonalidades variam do branco mais alvo ao negro azeviche, dividindo a foto sem marcar zonas distintas.






VI – O INSTANTÂNEO ESTÉTICO:


Nos anos sessenta, com o advento da Arte Pop surgiu os “fotógrafos de rua”.
Os profissionais focalizavam intencionalmente imagens casuais, sem pose, parecendo trabalho de amador, para eliminar traços de artifícios e documentarem a “paisagem social” das cidades.

ARBUS: Conhecida por suas imagens de “aberrações”: travestis, hermafroditas, gigantes, anões, introduziu um olhar mais angustiante. Entretanto, ela focaliza essas pessoas marginalizadas sem um julgamento prévio. Mais bizarras são as fotos de pessoas “normais”, colhidas em poses distraídas que as transformam em grotescas.






UELSMANN: O fotógrafo americano faz sanduíches de seis ou mais negativos superpostos no papel. Combinado essas imagens sem marcar uma definição, ele obtém cenas totalmente irreais a partir de objetos reais.








VII – FOTORREALISMO:


Também conhecido como Hiper-Realismo, esse estilo reproduz a fotografia em pintura com tanta fidelidade que um crítico o chamou de “Leica-ismo”.
Para obter essa semelhança quase absoluta, o artista projeta um slide na tela e usa instrumentos de arte comercial, como a “airbrush”. Apesar do caráter factual da superfície, contudo, os fotorrealistas diferem seus antecessores. O realismo pós-moderno adota o efeito plano da imagem na câmera tratando os objetos como elementos de uma composição abstrata.
A maioria dos fotorrealistas se especializa num determinado tema:

- RICHARD ESTES faz janelas urbanas com um reflexo perfeito;




- AUDREY FLACK pinta naturezas-mortas simbólicas;



- MALCOLM MORLEY retratou viajantes em cruzeiros de navio durante sua fase fotorrealista;



 - CHUCK CLOSE é reconhecido pela experimentação com as distintas linguagens e técnicas da arte gráfica para interpretar os retratos em escala monumental que caracterizam suas pinturas e fotografias.