sábado, 22 de março de 2014

HUMANISMO: INTRODUÇÃO E CONTEXTO HISTÓRICO


 1. INTRODUÇÃO:

O antropocentrismo – o predomínio do humano sobre o transcendente – era o eixo dessa nova filosofia, que seria posteriormente conhecida sob o nome de Humanismo. A palavra deriva da expressão latina “studia humanitatis”, que se referia ao aprendizado, nas universidades, de poética, retórica, história, ética e filosofia, entre outras disciplinas. Elas eram conhecidas como artes liberais, porque se acreditava que dariam ao ser humano instrumentos para exercer sua liberdade pessoal.



Num sentido específico, tem ainda o seguinte sentido: para o pensador romano Cícero, “humanitas” significa “cultivo da mente”, certo tipo de educação ampla necessária à atuação adequada na vida social; para os gregos, a palavra “paidéia” designava o mesmo tipo de educação; essa educação deveria permitir às pessoas a exploração de todo a trajetória do conhecimento humano, incluindo as ciências e a Matemática, a fim de desenvolver todo seu potencial.
“O homem é a medida de todas as coisas”, frase de autoria do filósofo grego Protágoras que sintetiza o Humanismo.


A fonte original de todo Humanismo foi o estado de espírito que gerou o Renascimento e, num primeiro momento, entende-se como uma retomada do estudo dos autores antigos de uma maneira numérica e qualitativamente mais intensa do que se fazia durante a Idade Média.
A época era de redescoberta e reinterpretação das obras dos pensadores da Antiguidade a partir de seu próprio contexto histórico.
O interesse por esse período da história resultou o Humanismo europeu do século XIV, que consistiu basicamente na afirmação da dignidade e dos valores humanos, desdobrando-se historicamente no Iluminismo do século XVIII, até chegar aos nossos dias, por exemplo, na Declaração Universal dos Direitos Humanos.
Deve-se lembrar que no momento em que aflora o movimento humanista a Europa, se encontra por um lado, dominada pela ideologia da Igreja Católica, o Teocentrismo, a serviço da dominação das massas e da manutenção do poder das autoridades religiosas que, normalmente, acumulavam os poderes espiritual e temporal, e por outro, a revitalização das cidades, a formação de redes de comércio entre centros distantes, a consolidação de uma classe mercantil muito abastada, a criação de bancos e a centralização do poder político em torno de cidades ou de reinos.
A principal arma de combate dos humanistas contra o Teocentrismo e seus dogmas foi á faculdade humana da razão, exercida por meio da observação do mundo pelos filósofos. O uso da razão tinha por fim promover o desenvolvimento das capacidades humanas, abrindo novas possibilidades para a humanidade como um todo. Tal concepção de pensamento chamava-se Antropocentrismo. Essa nova perspectiva de ver o universo e a natureza fez com que o homem tentasse explicá-los através da ciência. Desse modo, essa nova atitude implicou o nascimento da ciência moderna e da Matemática nos trabalhos de Giordano Bruno, Leonardo da Vinci, Galileu e Nicolau Copérnico, entre outros.


2. CONTEXTO HISTÓRICO-SOCIAL:

O humanismo é, dentro do revolucionário mosaico renascentista, um nostálgico e sentimental retorno à cultura e às letras clássicas.


Ambrogio Lorenzetti (c. 1290 - c. 1348). A Vida na Cidade. Os Efeitos do Bom Governo (c. 1337-1340). Afresco (detalhe). Siena, Palazzo Pubblico, Sala dei Nove.

O Humanismo surgiu inicialmente nas cidades prósperas da Itália, aonde vieram se alojar, sob a proteção dos mecenas, sábios foragidos da sede do Império Romano do Oriente, Constantinopla, antiga Bizâncio. Tais sábios traziam consigo as obras dos autores antigos, gregos e latinos. Esses autores, pouco lidos durante a Idade Média, começaram a ser novamente divulgados no Ocidente e o interesse por suas obras é que constituirá o Humanismo, movimento preparador do Renascimento.
O Humanismo português vai desde a nomeação de Fernão Lopes para o cargo de cronista-mor da Torre do Tombo, em 1434, até o retorno de Sá de Miranda da Itália, em 1527, quando começou a introduzir em Portugal a nova estética clássica.
Torre do Tombo: arquivo do Reino, onde se guardavam os documentos oficiais. A Torre do Tombo foi destruída por um terremoto em 1755, mas o arquivo conservou sempre o mesmo nome.
Situada no Campo Grande, na Cidade Universitária, na zona norte da cosmopolita capital de Portugal, Lisboa, a Torre do Tombo é a designação do arquivo central do País, desde os remotos tempos da Idade Média.
Anteriormente, o arquivo central situava-se na Torre do Tombo do Castelo de São Jorge (de 1378 a 1755), ficando desde aí a sua designação.


Estando em perigo no grande terremoto de 1755, mudou-se o seu importante conteúdo para o Palácio de São Bento onde se manteve até à construção do edifício atual em 1990, pertencendo agora à tutela do Instituto dos Arquivos Nacionais/Torre do Tombo (IANTT).


O projeto do atual edifício foi assinado por Arsénio Cordeiro e António Barreiros, ocupando uma área de 54.900 metros quadrados, contando com uma área de arquivo e investigação, outra para a realização das mais variadas atividades culturais e outra para os necessários serviços administrativos. 

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