quarta-feira, 4 de setembro de 2013

ANÁLISE COMPARATIVA: 
“MORTE VIDA SEVERINA” E “VIDAS SECAS”



I – INTRODUÇÃO:


   O poema de João Cabral apresenta não apenas uma interpretação da obra de Graciliano Ramos como, também, aponta para os locais de encontro entre sua própria obra, em especial Morte e Vida Severina” e “Vidas Secas”, do maior dos regionalistas de 30.


“O que me interessa é o homem, e homem daquela região aspérrima. Julgo que é a primeira vez que esse sertanejo aparece em literatura. (...) Procurei auscultar a alma do ser rude e quase primitivo que mora na zona mais recuada do sertão, observar a reação desse espírito bronco ante o mundo exterior, isto é, a hostilidade do meio físico e da injustiça humana. Por pouco que o selvagem pense – e os meus personagens são quase selvagens – o que ele pensa merece anotação. (...) A minha gente, quase muda, vive numa casa velha de fazenda. As pessoas adultas, preocupadas com o estômago, não têm tempo de abraçar-se. Até a cachorra é uma criatura decente, porque na vizinhança não existem galãs caninos”. (Graciliano Ramos)

O mesmo poderia ser dito, sem qualquer alteração, de “Morte e Vida Severina”.


   "O Homem pra mim é, precisamente, o homem sofredor do Nordeste. O homem que me interessa é o cidadão miserável, do nordeste cujo futuro, menos miserável,
está ligado ao desenvolvimento do Brasil."
(João Cabral de Melo Neto)

Dessa forma, “Vidas Secas” (1938) com seu cenário, sua crítica ácida e, principalmente sua linguagem seca e direta de falar com coisas do mestre Graciliano, é a fonte mais clara em que bebe João Cabral. 


II – GRACILIANO RAMOS VERSUS JOÃO CABRAL DE MELO NETO:

   “O realismo de Graciliano não é orgânico nem espontâneo. É crítico. O “herói” é sempre um problema: não aceita o mundo, nem os outros, nem a si mesmo. Sofrendo pelas distâncias que o separam da placenta familiar ou grupal, introjeta o conflito numa conduta de extrema dureza que é a sua única máscara possível. E o romancista encontra no trato analítico dessa máscara a melhor fórmula de fixar as tensões sociais como primeiro motor de todos os comportamentos”. (Alfredo Bosi) 

Graciliano Ramos com “Vidas Secas” insere-se na contextualização do quadro da literatura de 30, uma vez que, a obra com matizes do regionalismo faz um retrato real, cruel e brutal das relações sociais, nitidamente, feudais imperantes no Nordeste do Brasil na época.
João Cabral de Melo Neto recuperando o valor formal e uma linguagem sóbria só é considerado poeta da Geração de 45, cronologicamente, pois esteticamente, afasta-se das propostas modernistas, por ter aberto caminhos próprios, apresentando uma poesia objetiva, cerebral e sensacionalista, tornando-se, portanto, um caso particular na evolução da poesia brasileira moderna.
Trata-se de um poeta construtivista, ligado por temperamento às formas visuais de expressão, fato que o levou, a desde cedo, dialogar com artistas plásticos contemporâneos como Mondrian ou Juan Miró e ter afinidade com os cubistas.
Além das influências literárias, seus poemas são inspirados nas teorias arquitetônicas de Le Corbusier. Conhecido por “poeta engenheiro”, Cabral valoriza a forma visual dos poemas, a geometrização, com palavras concretas, denotativas e uma preocupação formal. Propõe para a poesia um verso construído, desmistificando o ato de "criar com inspiração".

A este respeito disse João Cabral:

   "A poesia concreta é muito mais visual do que auditiva e talvez resida aí a possível influência minha sobre ela. A poesia concreta é muito interessante e não precisava de mim pra ser o que ela é."

   "[...] Sempre escrevi poemas sobre o Recife longe da cidade. Eu não precisava estar lá para recriar o universo sobre o qual falo em meus poemas. Não acabaram as favelas nem as populações ribeirinhas do Capibaribe, que conheci na minha adolescência andando pelos mangues perto de casa, na Jaqueira. Algumas pessoas chegaram a me perguntar se eu tinha me inspirado em Josué de Castro e sua Geografia da Fome na hora de escrever esses dois poemas. Conheci, admiro e respeito Josué de Castro, que foi meu chefe em Genebra. Mas não me inspirei nele. Fiz poesia e emoção sobre aquela realidade miserável do Recife. Ele fez ciência. Essa é a diferença entre nós.” (João Cabral de Melo Neto)

E acrescenta:

   “O que me chateou muito também a respeito do sucesso mundial de “Morte e Vida Severina” foi que a burrice nacional brasileira começou a fazer inferências políticas sobre o poema. Muita gente queria que depois de cada espetáculo eu subisse ao palco e gritasse "Viva a Reforma Agrária". Recusei-me a fazer isto. Não faço teorias para consertar o Brasil, mas não me abstenho de retratar em poesia o que vejo e sinto. Eu mostrei a miséria que havia no Nordeste. Cabia aos políticos cumprirem seu papel. Essas exigências de engajamento político me irritaram muito. Ainda bem que logo depois fui para Sevilha, Genebra, Assunção e fiquei muito tempo longe do Brasil. Foi o tempo necessário para que parassem de achar que eu deveria fazer arte engajada em vez de poesia pura."

III - ESTRUTURA:

Ambas as obras são curtas, mas apresentam algumas diferenças na estrutura.
A obra “Vidas secas” é apresentada em forma de prosa e o discurso é indireto livre; em “Morte e vida severina” o texto está em forma de poesia e o narrador em terceira pessoa, aparece apenas nas transições das partes do livro.
“Vidas Secas” é comporta por treze capítulos autônomos, que se encaixam de forma descontínua, com um raro talento artístico. Para alguns, a obra pertence a um gênero intermediário entre romance e livro de contos; formado de cenas e episódios mais ou menos isolados; mas de tal forma solidários que só no contexto adquirem sentido pleno. A continuidade textual explícita somente se opera entre os capítulos 10 /11 e 12/13.
“Morte e vida Severina” se divide em 18 cenas ou fragmentos poéticos, todos precedidos por um título explicativo de seu conteúdo, praticamente resumos dos poemas em si. Costuma-se separá-los em dois grandes grupos:
As primeiras 12 cenas descrevem a peregrinação de Severino, seguindo o rio Capibaribe, fugindo da morte que encontra por toda parte, até a cidade do Recife, onde, para seu desespero, volta a encontrar apenas a miséria e a morte. Trata-se do Caminho ou Fuga da Morte. Nesta parte o poeta habilmente alterna monólogos de Severino a diálogos que trava ou escuta no caminho.
As últimas 6 cenas apresentam O Presépio ou O Encontro com a Vida, em que é descrito o nascimento do filho de José, mestre carpina, em clara alusão ao nascimento de Jesus. A peça se encerra, portanto, com uma apologia da vida, mesmo que seja severina. Toda esta parte, com exceção do monólogo final do mestre carpina, foi adaptada por João Cabral de Melo Neto dos Presépios ou Pastoris do folclore pernambucano.

IV - LINGUAGEM:

Tanto em “Vidas Secas” como em “Morte e Vida Severina”, encontra-se uma linguagem objetiva, enxuta e direta.
“Vidas secas”, assim como o clima, a linguagem é seca. Sem adjetivações pesadas, a narrativa é baseada em substantivos e não há muitos detalhes. Com linguagem culta urbana, apresenta alguns poucos regionalismos e é sempre direta, “sem rodeios”.
As frases curtas; a pontuação precisa; o uso do futuro do pretérito nas passagens em que o discurso indireto livre, permite que sejam expressos os sonhos das personagens; a inexistência de diálogos; a abundância de interjeições; exclamações; sons onomatopaicos, substituindo a fala das personagens e mostrando-lhes a animalidade, constituem alguns dos elementos enriquecedores da obra. Além da dimensão visual e sonora explorada na descrição da natureza. A linguagem é constituída basicamente por monólogo interior e a personagem dialógica é construída por um processo de comunicação interativa.
A linguagem de “Morte e Vida Severina” é concisa, mas fluída e permeada de lirismo que soletra a vida e a celebra.
Ao longo do texto, a oralidade é reforçada pelo recurso constante da repetição que constitui elemento estrutural das ladainhas, intensificando no plano sonoro, expressa a condição de miserabilidade do nordestino, a monotonia e a repetitividade da vida.
 “Morte e vida severina” é mais “musicalizada”, em redondilha maior, na maioria das vezes. João Cabral tenta, ao contrário do que Graciliano fez em “Vidas secas”, caracterizar o clima, o lugar e as personagens com o uso de adjetivos.

V – FOCO NARRATIVO:

Em “Vidas Secas”, “o narrador não quer identificar-se com o personagem, e por isso há na sua voz uma certa objetividade de relatar. Mas quer fazer às vezes do personagem, de modo que, sem perder a própria identidade, sugere a dele. É como se o narrador fosse, não um intérprete mimético, mas alguém que institui a humanidade de seres que a sociedade põe à margem, empurrando-os para a fronteira da animalidade. Aqui, a animalidade reage e penetra pelo universo reservado, em geral, ao adulto civilizado.” (Antônio Cândido)
Já em “Morte e vida Severina”, a obra é narrada em primeira pessoa pela personagem Severino e é composta de monólogos e diálogos com outras personagens.

VI – TÍTULO:

Em “Vidas Secas” o “sentido da vida” ou os porquês de tantas desgraças são os temas pelos quais tudo se desenrola, aliás o próprio título da obra endossa esta tese, vez que seca, na linguagem popular, segundo o Aurélio, tem o significado de “má sorte” ou azar, portanto “Vidas Secas” tem a inteligência de Vidas sem sorte, o que reporta à razão e ao sentido desta existência desafortunada.
João Cabral, por sua vez, "ao inverter a ordem natural do sintagma "vida e morte", o poeta registra com precisão a qualidade da vida que seu poema visa a descrever: uma vida a que a morte preside. E ambas, morte e vida, têm por determinante o adjetivo "severina". Igualam-se nisso de serem ambas pobres, parcas, anônimas. O procedimento de adjetivação do substantivo é recorrente na poesia de Cabral, e aqui adquire especial relevo por estar em posição privilegiada, no título da peça.
“Morte e Vida Severina”, porque é Severino o protagonista, que, desde a apresentação, insiste no caráter comum de seu nome, antes um "a-nome" no contexto em que vive. De substantivo próprio, "Severino" passa a ser comum; daí a ser adjetivo é um passo. (...) Será interessante advertir que o uso de "severino" como adjetivo no auto cabralino não é senão a reversão da palavra à sua origem. Diminutivo de "severo", "severino" é originariamente um adjetivo. (...)”
É importante acrescentar que, além de descrever uma vida presidida pela morte, o título também demonstra o percurso feito por Severino durante a peça. Sai da morte para alcançar a vida. A estrutura geral da peça, ou sua macroestrutura, apresenta exatamente este caminho.
“Morte e Vida Severina” traz como subtítulo “Um Auto de Natal Pernambucano”. Trata-se, portanto, de uma obra que procura aclimatar a Pernambuco o espírito dos autos sacramentais ou hieráticos da península ibérica.
"Os autos (que assim se chamaram estas representações teatrais peninsulares por conterem apenas um ato) eram composições dramáticas de caráter religioso, moral ou burlesco (mas preferentemente devoto e com personagens alegóricas) desenvolvidas ao longo da Idade Média, de cujo teatro religioso se originaram, adquirindo sua forma típica na Península Ibérica entre os séculos XV e XVI. Suas origens se prendem às representações religiosas do teatro medieval (aos "mistérios", aos "dramas litúrgicos" e às "moralidades"), portanto ligadas ao teatro litúrgico europeu, embora não tenhamos hoje senão vestígios muitos imperfeitos dessas representações peninsulares anteriores a Gil Vicente (em Portugal) e a Juan del Encina e Lucas Fernandes (na Espanha)." 

 VII – PERSONAGENS:

A vida, nas duas obras é a mesma vida severina, é a mesma vida seca: o homem sertanejo sobrevivendo na adversidade e na míngua e o homem fugindo da seca, o retirante.
Ainda mais: nas duas obras retratam a representação do drama do trabalhador rural que ainda não obteve uma solução satisfatória. Severino e Fabiano são trabalhadores, buscam emprego, mas são marginalizados em sua própria condição.
Dessa forma, Fabiano, Sinhá Vitória e os meninos sem nome são todos Severinos. Em “Vidas secas” há a antropomorfização e a zoomorfização das personagens. Fabiano, Sinhá Vitória e os dois meninos vivem menos como uma família do que como um grupo de desconhecidos. A cachorra Baleia parece ser o elo entre os membros da família e a única que consegue ter objetivos e tentar alcançá-los.
“Morte e Vida Severina” tem um forte apelo social, mostrando o drama de um homem que não tem trabalho fixo e (pior) fica vagando pelo sertão em busca de uma tarefa que não aparece, sem retratar especificamente o drama da seca, sabe-se, contudo, que ela está presente e que isso é determinante na vida das personagens.
Cabral ao caracterizar as personagens da obra, age de acordo com os modelos dos Autos, pois se trata de “tipos”, que podem ser vistos como alegóricos. Assim, o protagonista, Severino é uma personagem-tipo, que representa o nordestino sertanejo despersonalizado. Quanto ao ponto de vista alegórico, Severino representa o próprio Homem que, em busca de uma condição existencial verdadeiramente humana, oscila entre os pólos da morte e da vida.
Antes de narrar à história de sua vida, nos trinta primeiros versos, Severino inutilmente tenta apresentar-se ao público/leitor, mas esbarra na falta de individualidade, na despersonalização do sertanejo empobrecido, pois seu nome e também os de seus pais (Maria e Zacarias), como o lugar onde nasceu são comuns ao coletivo. Além disso, há o fato de que Severino também não consegue se diferenciar dos demais nordestinos, seja no tipo físico anêmico, seja na curta expectativa de vida, seja na luta pelo sustento tirado da terra seca e improdutiva.
Apresentando-se como um entre tantos retirantes "sem nome", Severino aparece como sinédoque (a parte pelo todo) de todo o povo sofrido do sertão.
Note-se que a descrição da vida severina começa pela apresentação da morte severina.
No final da peça, no momento em que ocorre a crise do protagonista se intensifica, surge o Mestre Carpina (São José, o carpinteiro), outra personagem “tipo” que representa a luta pela vida e que não consegue convencê-lo através de palavras não suicidar-se. Nesse momento, á anunciado (Anjo da anunciação) o nascimento do filho do carpinteiro (filho de Deus), numa clara alegoria ao Natal e a renovação da vida. Além de que, o Mestre Carpina vive num mocambo que metaforicamente servirá de manjedoura ao seu filho recém-nascido e os visitantes saúdam o nascimento do menino e trazem presentes aludindo os três reis magos.
As demais personagens do livro aparecem para contar um pouco de suas vidas e de sua situação no sertão a Severino.

VIII – TEMPO E ESPAÇO:


Tanto em “Vidas secas” como em “Morte e vida Severina”, o ambiente predominante é árido.
“Vidas Secas” começa por uma fuga e acaba com outra. Decorre entre duas situações idênticas, de tal modo que o fim, encontrando com o princípio, fechando a ação num círculo. Entre a seca e as águas, a vida do sertanejo se organiza do berço à sepultura, a modo de retorno perpétuo. Como os animais atrelados ao moinho, Fabiano voltará sempre sobre seus passos, sufocado pelo meio físico. É um determinismo semelhante ao de “Os Sertões”, de Euclides da Cunha, pois retoma o problema dos “dois brasis”: o Brasil sertanejo, miserável e abandonado à própria sorte cujas condições climáticas ajudam a piorar, e o Brasil civilizado e cosmopolita, o Sul.
O tempo na obra está mais voltado ao psicológico, já que não se estabelecem cronologicamente datas. O período da ação narrativa é determinado entre duas secas.
O espaço da obra é o sertão nordestino, que entra aqui como elemento bem definido através de descrições e caracterizações minuciosas. O tempo e o espaço da obra também podem ser analisados a partir de duas contradições: seca/chuva e sertão/cidade.
O espaço da narrativa é, predominantemente, rural. São suas transformações que impulsionam as personagens. Estão fugindo da seca, estabelecem-se na fazenda, com a chegada da chuva conhecem a prosperidade por algum tempo, vêm com desânimo às arribações anunciarem nova seca e fogem novamente depois que o gado já morreu de sede. O espaço urbano aparece em dois capítulos, mas, também, não é acolhedor, as personagens não se movem com desenvoltura na cidade.
Em toda narrativa o espaço funciona como uma espécie de antagonista de Fabiano e família e suas vidas dependem do regime da seca.
Em “Morte e vida severina”, Severino sai da Paraíba em direção a Recife. Conforme ele anda, o ambiente fica um pouco mais “verde” e mais fértil, mas ainda carrega traços de seca.
O tempo e o espaço de “Morte e vida Severina” contribuem para o caráter de denúncia social do texto. O tempo não é determinado cronologicamente, o único indício que aparece é a situação da seca e a estação do verão, na época em que o Capibaribe seca.
O espaço possui um movimento de deslocamento: o retirante faz a travessia do Agreste para a Caatinga, da Zona da Mata para o Recife, ou seja, sai da serra, mais especificamente da Serra da Costela, e vai para o litoral, para Recife.
Mas o grande desafio do retirante é o confronto que trava, ao longo do poema, com a morte. Ousando um pouco, ela pode ser encarada como uma personagem, adquirindo um tratamento mágico, já que acompanha Severino durante toda sua jornada e não lhe deixa esquecer sua condição e seu destino fatal.
São elementos que certamente influenciaram João Cabral na construção do texto. O poeta viveu o que Antonio Candido denominou de consciência dilacerada do atraso, localizada em torno da metade do século XX. De um lado, o Brasil cresce num ritmo vertiginoso, com fábricas e indústrias instalando-se por todo país, com as grandes cidades recebendo o título de metrópoles, com a urbanização, enfim, tomando conta de áreas campestres (o que desencadeou o êxodo rural). Mas de outro lado, temos ainda um Brasil arcaico, que não tem luz elétrica – e em muitos casos, nem sabe o que é isso –, uma região onde não existem leis e a ordem é mantida por facões e espingardas, um local cujo único futuro legado à sua gente é a certeza da morte em torno do quarenta anos, no máximo.

CONCLUSÃO:


  As duas obras em questão abordam a seca e os retirantes, mas de formas diferentes.
Em “Vidas secas” a finalização da narrativa é mais “negativa” e a impressão é de que Fabiano e sua família vão para sempre continuar a fugir da seca, que este é o destino deles como uma bolandeira.  Além disso, mostra como o ambiente toma absorve o homem tornando-o menos humano a cada dia que passa, a ponto de seus filhos não terem nome.
“Morte e vida Severina” mostra toda a degradação humana e ambiental em função da seca, discorre sobre a miséria, a morte e o triste destino de muitos. Entretanto, ao final a esperança surge e dá a entender que, apesar de todo o mal que a seca pode causar, ainda há espaço para a vida, mesmo para uma vida severina.

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