terça-feira, 17 de janeiro de 2012

JACKSON POLLOCK E A “ACTION PAINTING”



            1912-1958

   “Quero expressar meus sentimentos mais do que ilustrá-los...Eu posso controlar o fluir da tinta; não há acaso, assim como não há começo nem fim.”

JACKSON POLLOCK nasceu em Cody, Wyoming, cresceu na Califórnia e no Arizona.
Polêmico, mórbido, mítico, inovador e um dos mais importantes personagens da pintura pós-guerra do mundo, Pollock representa o Expressionismo Abstrato Americano.
Em plena crise econômica da era industrializada (queda da bolsa de valores, falências, desempregos) dos anos 20, Pollock se instala em Nova Iorque, estuda no Art Students League e inicia a sua carreira artística.
Convive com as pinturas de Thomas Hart Benton que retratam a vida da sociedade rural e urbana e de cenas históricas norte-americana; dos murais dos pintores mexicanos (José Clemente Orozco, Diego Rivera); da pintura épica e revolucionária de David Alfaro Siqueiros; da pintura-escrita dos índios da América do Norte e dos motivos de Pablo Picasso e Joan Miró.
A dificuldade financeira, o sonho distante de expor seus trabalhos e a concorrência acirrada com os pintores europeus, leva Pollock a uma grande depressão, encontrando o seu escapismo no álcool. No entanto, mesmo vivendo uma crise profissional, artística e existencial, o pintor nunca deixou de ser um inovador; misturava areia e vidro moído na tinta para obter efeitos especiais.
Com a chegada da sobrinha do milionário Solomon Guggenheim, Peggy Guggenheim em Nova Iorque, e com a criação de uma Fundação para o desenvolvimento das artes (1937), o mundo presenciará uma renovação no campo artístico: um emaranhamento da vanguarda européia e a americana.
Nessa época, Pollock começa tratamento contra o alcoolismo e em 1938, sofre de esgotamento nervoso.  Até 1941 trata-se com dois psicanalistas junguianos, que usam suas pinturas nas sessões de terapia. A partir de 1943 torna-se um dos iniciadores do movimento Expressionista Abstrato, com seu estilo caracterizado por grandes pinceladas aleatórias.
São dessa época as obras The Totem, Lesson I e The Blue Unconscious





Nessa época, Peggy investe a fortuna da família em aquisição de obras de artes e inaugura a galeria “Art of this Century” (1942) visando apresentar os “novos” pintores europeus e americanos ainda desconhecidos do público.
Pollock expõe seus trabalhos nessa galeria, primeiramente numa coletiva e um ano depois, realiza a sua primeira exposição individual, contanto com um texto elogioso de James Johnson Sweeney, comissário do Museu de Arte Moderna e importante crítico de arte.





Male and Female, 1942.

Em 1944, Pollock afirma:

"E não tenho medo de fazer modificações, de destruir a imagem ou qualquer outra coisa, porque a pintura vive uma vida própria. Quero que esta vida aflore".

Após 1947 inova utilizando tintas de alumínio e esmalte comercial em seus quadros. Em 1951 e 1952 pinta quase que exclusivamente em branco e preto, como se vê em Number Twenty-Three (1951), Echo (1951) e Number Seven (1952).

 Echo, 1951.

Number Seven, 1952.

Pollock, finalmente, é reconhecido internacionalmente e sua nova técnica de pintar passa a ser denominada por “action paiting”, expressão escolhida pelo crítico de arte norte-americano Harold Rosenberg, em 1952.
A “action painting” é uma forma de pintar em que o próprio ato se torna o centro da criação, em que o gesto e o movimento do corpo condicionam totalmente o produto, e Mark Tobey, Franz Kline e Jack Pollock foram os precursores americanos deste movimento. Essa técnica definiu uma nova possibilidade artística tanto do ponto de vista estético, quanto do ponto de vista moral, um valor que não residiria apenas no resultado da ação, mas no processo de  execução.
Os artistas não procuravam representar o mundo através de uma transfiguração, tinham já nessa época, abandonado todos os procedimentos de representação, inclusive os que eram característicos da tradição não-representativa européia, que utilizavam a pintura como um veículo de conhecimento do mundo.
Pollock, ao mesmo tempo em que, do ponto de vista teórico, chegava a uma concepção acabada do que era para ele a arte; alcançava também uma definição técnica do modo de concretizar suas ideias.
O artista parte do Abstracionismo europeu para uma nova forma de experimentação, marcada pela deliberada marcação do gesto do artista, permitindo que o autor caminhasse sobre ela, integrando-se e interagindo-se com a mesma durante o seu processo de criação. Utilizando-se do método dripping (“O gotejamento”), técnica desenvolvida por Pollock que consistia em traçar manchas, fios e gotas deixando cair á tinta de um recipiente suspenso sobre a superfície da tela, colocada horizontalmente em relação ao artista, o pintor criou uma forma de abstração em que a cor, derramada sobre grandes telas estendidas no chão, resultava num tecido contínuo de vibrantes caligrafias.


Pollock substituiu os pincéis por utensílios como facas, colheres, paus e tudo o que servisse para borrifar ou salpicar de tinta a superfície da tela e aplicava areia ou vidro partido/moído, conferindo às suas pinturas, texturas que tornaria o seu trabalho único. Tratava-se da afirmação de uma arte gestual e signica (que em parte remete a certo automatismo intentado pela primeira vez pelos surrealistas, e em parte a um descobrimento das grafias e pictografias orientais, sobretudo japonesas).


Os signos eram utilizados de modo abstrato, totalmente, desprovidos de um “significado” conceitual (ao menos evidente) e também, inteiramente separados de toda referência às figurações preexistentes, seja de caráter naturalista como de caráter simbólico.
O impulso de Pollock era válido para liberar a maré de cores dirigindo-se a universos inexplorados, entregando-se à “ação” pictórica autônoma e incontrolada. 
Seu método de pintar deslocando a tela para o plano horizontal, dispensando o cavalete e caminhando ao redor da tela, e mesmo sobre ela, eram atitudes inovadoras e revolucionárias, fazendo com que suas pinturas perdessem forças, quando olhadas através de fotografias ou xerox; pois, o primeiro vislumbre da glória do artista, veio através das fotografias dele trabalhando, da forma energética dos seus gestos no ato de pintar e de sua dramaticidade no momento de criar.


 “Quando estou a pintar não tenho consciência do que faço. Só depois de uma espécie de “período de familiarização” é que vejo o que estive a fazer”, afirma Pollock.

 Entre a pintura e o jazz; o álcool e o tratamento psiquiátrico; o amor de Lee Krasner, sua esposa e companheira e a beleza da jovem amante; entre o anonimato e a fama; Pollock viveu fortes emoções que o levaram ao êxtase e a depressão, culminando com sua morte precoce aos 44 anos de idade (dirigia completamente embriagado e chocou contra uma árvore).
Mais tarde, a revista “Time” apelidou Pollock de “Jack de Dripper”, época em que sua vida pessoal e artística já estava desacreditada: a “pessoal” talvez sim; pois não conseguiu controlar as suas emoções e ansiedades; mas, a “artística”, com certeza, não. Afinal, a obra do norte-americano Jackson Pollock representa o passo de transição da vanguarda artística da Europa para os Estados Unidos, após o fim da Segunda Guerra Mundial e seu trabalho exerce grande influência sobre seus contemporâneos norte-americanos e europeus.

De vez em quando, um pintor tem que destruir a pintura. Cézanne fê-lo. Picasso também, com o cubismo. E Pollock também. Ele matou a nossa ideia de quadro. E permitiu assim que a pintura voltasse a trazer qualquer coisa de novo”, afirma Willem de Kooning em 1954.

Número 1, 1949.

Em “Número 1”, propõe o envolvimento físico total do artista (“action painting”) e esse envolvimento visceral e dinâmico com a criação, pode ser sentido na marca de suas mãos no canto superior direito da pintura. As mãos impressas não só servem como uma marca primitiva de propriedade e criação, como também enfatiza a superfície plana da lona, sublinhando desse modo a natureza não ilusionística de sua arte.
Foi um crítico de arte e amigo de Pollock que sugeriu o nome “Lavender Mist” (“névoa de lavanda”) para o quadro denominado originalmente Número 1. Esse nome mais evocativo promove a forte atmosfera do quadro.
“Lavender”, além de evocar sensações olfativas, designa também uma tonalidade pálida de rosa (que não corresponde ao utilizado no quadro).
    

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