sexta-feira, 23 de setembro de 2011

PARNASIANISMO: a poesia “sem um defeito”


“O Parnasianismo foi outra vítima da Inteligência do século XIX. Foi essa Inteligência que construiu a prisão onde quis encarcerar o poeta. Preso, o poeta era obrigado a esmagar seus sentimentos sublimes, a deformar suas ideias, a cortar, diminuir, fazer o que não queria, porque à porta vigiavam carcereiros terríveis com pencas de chave de ouro à cintura.

Coitado de quem dizia o que queria, e como queria! Era preciso medir as ideias como se medem fazendas nas lojas de turco.”

Rubens Borba de Morais, em 1922, comentando a literatura do fim do século XIX.

I – INTRODUÇÃO:


O Parnasianismo é a manifestação poética que se desenvolveu no Brasil concomitantemente a prosa realista e naturalista, embora ideologicamente se distancie das mesmas.

O Parnasianismo surgiu na França, a partir de 1866, com uma antologia de poetas de tendências diversas, com o título de “Le Parnasse Contemporain”, no entanto, na maioria, desejosos de reagir contra o sentimentalismo piegas e à frouxidão dos versos dos últimos românticos e tinha, entre os seus participes e teorizadores, entre outros, os poetas:
THÉOPHILE GAUTHIER, defensor dos princípios da perfeição formal, da palavra como objeto a ser trabalhado com esmero, e da negação do automatismo da inspiração. Daí nasceu á teoria da “ARTE PELA ARTE” que tem como princípio que a missão da arte é ser bela.
LECONTE DE LISLE preconizava a objetividade na descrição do mundo, com pormenorização de objetos e cenas; a renovação dos temas, com preferência pela história antiga e pelos povos orientais; a primazia dos efeitos plásticos e sonoros, capazes de impressionar os sentidos e a utilização de vocabulário raro e preciso.
CHARLES BAUDELAIRE, poeta de extrema complexidade, antecipador de várias conquistas simbolistas e modernas.
A denominação “Le Parnasse Contemporain” remete-nos à Antiguidade Clássica: o Parnaso era um monte na Grécia Antiga, consagrado a Apolo, deus Greco-romano da Poesia, das Artes, da Medicina, dos rebanhos, do Dia e do Sol; e às nove musas: Clio, que presidia à História; Euterpe, à Música; Tália, à Comédia; Melpómene, à Tragédia; Terpsicore, à Dança; Érato, à elegia; Polímnia, à Poesia Lírica; Urânia, à Astronomia; e Calíope, à Poesia Épica e à eloquência. Com essa escolha, os poetas franceses procuravam resgatar a visão de arte como beleza formal alcançada por meio do trabalho cuidadoso e detalhista.

“A arte não existe para a humanidade, para a sociedade ou para a moral, mas para si mesma.”


II – DADOS CRONOLÓGICOS:


O movimento parnasiano foi predominantemente poético. Além da França, só no Brasil a estética encontrou boa repercussão.
A nova tendência toma corpo a partir de 1878, quando nas colunas do Diário do Rio de Janeiro, divulgou uma polêmica entre os novos autores e os românticos, que ficou conhecida como a “Batalha do Parnaso”, alastrando-se até as primeiras décadas do século XX, época em que os neoparnasianos duelavam com os neo-simbolistas, num cenário em que, enfim, prevaleceriam os modernistas.
Entretanto, segundo a crítica literária, o marco inicial desse movimento no Brasil ocorreu somente, em 1882, com a publicação da obra “Fanfarras”, de Teófilo Dias.

III – CONTEXTO HISTÓRICO-SOCIAL:


Os anos que antecederam a I Guerra Mundial chamados de “anos loucos”, encontraram em Paris o centro cultural da Europa. Tendências artísticas diversificadas de vários países desembocavam na bela capital e irradiavam para o mundo ocidental.

A segunda metade do século XIX é a fase de ouro da burguesia, enriquecida com a Revolução Industrial, transformada pelas descobertas da ciência, pela revolução das máquinas e pelo conforto moderno e do progresso.
No final do Século XIX, a História da Arte passava por profundas inovações. A herança Renascentista italiana passa a ser questionada e artistas assistindo as transformações sociais, econômicas, políticas e filosóficas do mundo, além do desenvolvimento dos meios de comunicação, buscam novas expressões artísticas.
A máquina; a eletricidade; o automóvel; a música (o gospel, o jazz, o soul, o fox-trot e o samba que desceu dos morros brasileiros e chegou nos bailes da burguesia); a emancipação feminina; o cinema de Hollywood; o humor de Charles Chaplin; as saias curtas; as maquiagens faciais; o wisky; o tênis; o “crack” da Bolsa de Valores; a Ku-Klux-Kan; a guerra; Hiroshima e Nagasaki....
O fim do século XIX e o início do XX (1890 a 1914) foram marcados por uma onda de ostentação e rebuscamento conhecida como “belle époque”. O gosto pelo luxo e a vaidade das elites apareciam nas roupas enfeitadas, que eram usadas em ambientes ricamente iluminados e ornamentados.
No Rio de Janeiro e principalmente na “Confeitaria Colombo” desfilava mulheres elegantemente vestidas, com suas cinturas espartilhadas, mangas bufantes, chapéus coloridos e enfeitados com plumas. Os homens também primavam pela elegância, portando cartolas e usando bengalas ricamente ornamentadas.
Grandes acontecimentos históricos marcaram a geração dos parnasianos brasileiros. A abolição da escravatura (1888) coincide com a estréia literária de Olavo Bilac. No ano seguinte houve a queda do regime imperial com a Proclamação da República. A transição do século XIX para o século XX representou para o Brasil: um período de consolidação das novas instituições republicanas; fim do regime militar e desenvolvimento dos governos civis; restauração das finanças; impulso ao progresso material. Depois das agitações do início da República, o Brasil atravessou um período de paz política e de prosperidade econômica.
Desde o início do Romantismo, a circulação dos textos literários era feita principalmente por folhetins.
A publicação dos poemas também era feita nos jornais, no entanto, adquiria outra forma de divulgação: a memória dos leitores, que eram decorados e declamados na primeira oportunidade.
Alguns estudiosos da época relatam que, quando Olavo Bilac passava pela Rua do Ouvidor, a mais movimentada do centro do Rio de Janeiro, podiam-se ouvir alguns passantes recordando versos como: “Quando uma virgem morre uma estrela aparece” ou, os mais conhecidos e preferidos, “Pois só quem ama pode ter ouvido/Capaz de ouvir e de entender estrelas”.
Segundo Nestor Vitor, em 1902, Olavo Bilac correspondia aos ideais da sociedade para a qual escrevia. Representava o brasileiro médio, “lendo livros quase sempre ligeiros, revistas leves, fazendo crônicas para ganhar algum dinheiro e, no mais flanando com alguns amigos, frequentando cafés e teatros, deitando-se tarde, levantando-se tarde igualmente”.

IV – CARACTERÍSTICAS:

“Sempre haverá uma poesia popular sem arte, e poetas sem apuro gramatical e métrico, versejando com o falar da gente rústica. Acredito que é esta a verdadeira poesia, sentimento instintivo e pensamento espontâneo da terra e dos homens, nascendo do coração do povo, como o canto sai da garganta dos pássaros e o aroma da corola das flores. Esta será a legítima poesia, anônima e rude; e talvez seja esta a que mais dure...mas ao lado desta, inspirando-se dela, e dela aproveitando a seiva e o encanto, uma outra sempre haverá, culta é difícil; e sempre haverá, entre os bardos sem técnica, os artífices do estro literário. [...] É justo que, entre tantos latoeiros e funileiros, vivam alguns ourives!
Admitida esta necessidade, não admitamos confusões entre os que se resignam ao poetar espontâneo e os que ambicionam o sacerdócio do poetar artístico. Não tragam os aprendizes para a oficina da joalheria um material indigno, vocação errada, incapacidade, pechisbeque e miçangas, em vez de ouro e pérolas, preguiça em vez de paciência, neglicência em vez de vontade e gosto. Não entrem no verso culto o calão e o solecismo, a sintaxe truncada, o metro cambaio, a indigência das imagens e do vocabulário, a vulgaridade do pensar e do dizer. Não seja a arte fancaria e biscate: seja tarefa difícil, consciente, asseada, em que haja sacrifício e orgulho! Só assim será bela e simples a obra.”

Fragmento de uma conferência proferida por Olavo Bilac em homenagem ao poeta Alberto de Oliveira, referindo-se ao estilo parnasiano.

1. CONTENÇÃO LÍRICA:

Para desidentificar-se da antiquíssima síntese entre eu e mundo, para introduzir um hiato entre essas duas instâncias unitárias do real, o lírico parnasiano procura transformar a poesia em puro trabalho, artefato, construção. Transformada em produto do trabalho, a poesia mostrará sua independência em relação àquele que o produziu.
Insinua-se a metáfora do ourives, que pacientemente modela sua jóia, sem confundir-se com ela. O parnasiano não percebe que a ourivesaria tem a vantagem do requinte e da raridade, mas a tremenda desvantagem de ser supérflua relativamente àquilo que é fundamental à existência do homem. Isto também traduz uma obsessão pelo adorno (esteticismo) e um esquecimento das verdadeiras essências históricas. É uma arte para a eleite, revelando acentuado desprezo pela plebe, pelas aspirações populares, pelo cotidiano.
O parnasiano não capta a história naquilo que ela tem de revelador e inédito, mas em seus fogos-de-artifícios; não penetra naquilo que é interno e verdadeiro no processo da vida, mas naquilo que é logro e ostentação sob a máscara da beleza e do prestígio. Havia uma recusa frontal aos temas “vulgares” e os poetas encerram-se em suas torres de marfim, impedindo que sua poesia se faça permeável às grandes causas de seu tempo.

Longe do estéril turbilhão da rua,
Beneditino escreve! No aconchego
Do claustro, na paciência e no sossego,
Trabalha, e teima, e lima, e sofre e sua!

“Foi na prisão sem ar que morreu o Parnasianismo. Não há prisioneiro encarcerado, convicto, arrastando correntes, que não queira romper as cadeias, fugir, bradando um grito de liberdade...Esse grito foi o verso livre.”

Rubens Borba de Morais

2. MITO DA OBJECTUALIDADE:

Os novos poetas querem apreender descritivamente o real, sem perceber que confundem a realidade, que é complexa, sutil, movediça com o mecânico e estático das coisas.
Os objetos, as cenas históricas e os fenômenos naturais (o anoitecer, a primavera, o amanhecer) são descritos por meio de impressões sensoriais, nítidas, especialmente as imagens visuais, que se convertem em verdadeiros cromos, tal a intensidade das cores e do brilho.
Este cromatismo intenso é particularmente visível nas cenas da natureza e na descrição de objetos de arte, especialmente aquilo que desfrute de algum prestígio na hierarquia médio-burguesa do “bom gosto”: vasos gregos, recantos aprazíveis, “naturezas-mortas”, monumentos, medalhas, velhos alfarrábios, besouros esvoaçantes, dedos deslizantes sobre o teclado, histórias de mandarins, orgias gregas, bacanais latinos, rubis engastados no firmamento...
Nos últimos decênios do século XIX, o estreitamento dos contatos com o Oriente (China, Índia, Japão) e as descobertas arqueológicas na Grécia e Roma revelaram uma arte particularmente requintada.
É o gosto do exótico, do diferente, pelo prazer da raridade. A obsessão do diferente nada mais é do que a tentativa de esconder ou preencher o vazio criativo.
Alberto de Oliveira especializou-se nessa temática: “O Vaso Grego”, “O Vaso Chinês”, “O Leque”, “A Estátua” entre outros.

Esta de áureos relevos, trabalhada
De divas mãos, brilhante copa, um dia,
Já de aos deuses servir como cansada,
Vinda do Olimpo, a um novo deus servia.

Observe o rebuscamento da sintaxe, com inversões bruscas (hipérbatos e sínquises); veja como este mesmo poema ficaria em prosa na ordem direta:

“Esta brilhante copa de áureos relevos, trabalhada de divas mãos, um dia, vinda do Olimpo, como já cansada de servir aos deuses, servia a um novo deus.”

3. SEPARAÇÃO DE FORMA E INFORMAÇÃO:

Diz Ezra Pound que a grande poesia consiste “na linguagem carregada de significação no mais alto grau possível”. Noutros termos, ele afirma que a boa poesia deve pelo menos ter a qualidade de dizer bastante, mas com o mínimo suficiente de palavras. O parnasianismo, que cultiva a apologia da linguagem (e realmente os parnasianos eram exímios conhecedores da língua), esquece que a informação do sentido (informação semântica) deve ser tão rica e nova quanto á organização léxica e gramatical do discurso poético.
Centrados no puro fazer poético, os parnasianos instauram o materialismo da forma.
A literatura como “ofício” leva o parnasiano a encarar essa arte como um trabalho, sobretudo, formal, cuja matéria-prima, a palavra, deve ser cultivada com requintes técnicos: lapidada, burilada, cinzelada, beirando o preciosismo.
A poesia deve ser fruto do esforço intelectual da elaboração. Por isso, os parnasianos, exímios conhecedores da língua, são “poetas de dicionário”, obcecados pela correção gramatical, pela pureza da linguagem, pela vernaculidade, pela seleção vocabular.
Outro aspecto desse formalismo é a valorização de alguns procedimentos, como:

3.1. RIMAS: VOCABULÁRIO OU QUALIDADE

As rimas, identidade ou semelhança de sons no final ou no interior dos versos, são de grandes importâncias. Pode-se afirmar que não há poesia parnasiana sem rima: os versos brancos são raríssimos. E não é só isso: as rimas eram selecionadas, havia uma preferência pelas rimas RICAS E RARAS.

3.1.1. Rimas Pobres: as palavras que rimam pertencem à mesma classe gramatical.

Entre as ruínas de um convento
De uma coluna quebrada
Sobre os destroços, ao vento
Vive uma flor isolada.

Alberto de Oliveira

3.1.2. Rimas Ricas: as palavras que rimam pertencem a classes gramaticais diferentes.

O coração que bate neste peito
E que bate por ti unicamente,
O coração, outrora independente,
Hoje humilde, cativo e satisfeito.

Luís Guimarães Jr.

3.1.3. Rimas Raras: as palavras possuem terminações incomuns, em relação à correspondência sonora usual dos versos.

Gênios mansos da tarde, escutai a minha prece,
Sinto-vos deslizar por estes ares...Pondes
Um véu de seda azul no ombro nu da colina.
Entre as moitas o rio, em silêncio, adormece
E sobre, lento e lento, entre os cimos e as frondes.

Amadeu Amaral

3.1.4. Rimas Heterofônicas: quando o timbre das vogais tônicas é diferente.

Quem me dera que fosse aquela loura estrela,
Que arde no eterno azul, como uma eterna vela.

Machado de Assis

3.1.5. Rimas Imperfeitas: quando a sílaba final tônica apresenta vogais ou consoantes diferentes.

Mandou-me sua alma louca
Que a dor da ausência consome,
Saber se em sonhos o seu nome
Brilha agora em tua boca!

Olavo Bilac

3.2. QUANTO À DISPOSIÇÃO

3.2.1. Emparelhadas ou Paralelas: AABB

Pode em redor de ti, tudo se aniquilar:
- Tudo renascerá cantando ao teu olhar,
Tudo, mares e céus, árvores e montanhas,
Porque a vida perpétua arde em tuas entranhas.

Olavo Bilac

3.2.2. Opostas, Intercaladas ou Interpoladas: ABBA

Eu me lembro! Eu me lembro! – Era pequeno
E brincava na praia; o mar bramia
E, erguendo o dorso altivo sacudia
A branca espuma para o céu sereno.

Casimiro de Abreu

3.2.3. Alternadas ou Cruzadas: ABAB

Filhos do Novo Mundo! Ergamos nós um grito
Que abafe dos canhões o horríssomo rugir,
Em frente do oceano! Em frente do infinito!
Em nome do progresso! Em nome do porvir.

Castro Alves

OBSERVAÇÃO: Quando as rimas não seguem esquema regular, denominam-se Misturadas ou Deslocadas.

3.3. RIMAS INTERNAS:

3.3.1. Encadeadas: ocorrem no final de um verso com o interior do verso seguinte.

Cajueiro desgraçado,
A que fado te entregaste,
Pois brotaste em terra dura,
Sem cultura e sem senhor.

Silva Alvarenga

3.3.2. Aliterantes: sucessão de fonemas consonantais idênticos ou semelhantes no início das palavras.

Forte, fiel, façanhudo,
Fazendo feitos famosos
Florescente, frutuoso,
Fama, fé, fortalecendo,
Famosamente floresce,
Fidalguias favorece,
Francas franquezas firmando.

Garcia de Resende

3.3.3. Coroadas ou Iteradas: verificam-se dentro do mesmo verso.

Donzela bela, que me inspira a lira
Um canto santo de fervente amor,
Ao bardo o cardo da tremenda senda
Estanca, arranca-lhe a terrível dor.

Eugênio de Castro

3.4. EM RELAÇÃO À EXTENSÃO OU AO SOM:

3.4.1. Consoantes ou Puras: a partir da última tônica do verso, há identidade de sons.

Em mim também, que descuidado vistes,
Encantado e aumentando o próprio encanto,
Tereis notado que outras cousas canto
Muito diversas das que outrora ouvistes.

Olavo Bilac

3.4.2. Toantes ou Assoantes: quando há correspondência de sons apenas entre as sílabas tônicas das palavras.

E nas mãos magras e longas
Os dedos punha a contar:
Uma sombra, duas sombras...
Mas passaram sem parar.

Olegário Mariano

3.5. A MÉTRICA RIGOROSA:

Os parnasianos preferiam os versos longos, especialmente os Alexandrinos e os Decassílabos.
O verso alexandrino mais comum, entre nós divide-se em dois segmentos de 6 sílabas cada, denominados hemistíquios. A sexta sílaba é sempre tônica, e sobre ela recai a cesura (pausa ou corte no interior do verso).

3.6. A PREFERÊNCIA PELAS FORMAS FIXAS:

Os parnasianos reabilitaram as formas clássicas da poesia. O soneto, quase abandona no Romantismo, foi a forma eleita pelos poetas da época. Também o terceto, a sextina, a balada, o rondó são cultivados.

3.7. ENJAMBEMENTS:

O emprego de “enjambements” como meio de quebrar a monotonia rítmica, corresponde ao prolongamento sintático e semântico de um verso no verso seguinte, com supressão da pausa característica do final do verso.

4. O RETORNO Á TRADIÇÃO CLÁSSICA:

O Parnasianismo foi a recuperação dos ideais do Classicismo; representou um retorno aos temas e formas da poesia greco-romana, renascentista e arcádica. Tem com elas, em comum, o predomínio da razão, o antropocentrismo, os ideais da arte voltada para o belo, para o bem, para a verdade e para a perfeição; a submissão rigorosa às regras e modelos preestabelecidos; a objetividade e a obediência ao princípio aristotélico de que a arte deve ser a cópia da natureza, “Mímesis”.
Revivem no Parnasianismo os temas extraídos da História e da Mitologia greco-romanas: “O Incêndio de Roma”; “A Sesta de Nero”; “O triunfo de Afrodite”; “O Julgamento de Frinéia”, “A Tentação de Xenócrates” são títulos de algumas composições antológicas de Olavo Bilac, que nos remetem à Grécia e à Roma antigas.

5. A TRAMA DO KITSCH:

Diz-se que um artista pratica o kitsch quando mistura formas e truques com o fito de impressionar o apreciador. O kitsch e suas astúcias são uma das bases ideológicas da indústria cultural. O contrário do kitsch é o trabalho espontâneo e legitimamente criativo, que nasce de uma intuição original do artista. Isto não impede que ele imite. É impossível a originalidade absoluta. A história da arte é profundamente genealógica: ela retoma e refunde as formas do passado. Mas o kitsch revela inconsciência do valor humano e modelador da arte. Seu objetivo é ostentar, provocar admiração, através de certos efeitos previamente estudados. Buscando o raro e o requintado, o parnasiano cai, muitas vezes, na superficialidade, na obsessão pelo adorno, esquecido da essência.
O mesmo ocorreu com a exibição erótica. O erotismo tem sua unidade no próprio ato de vivê-lo. A essência do erotismo está no esconder-se. O parnasiano Bilac, principalmente faz um show de Laíses desnudas, seios que fazem sofrer, preâmbulos sacanas, orgias báquicas e tudo isso no Rio de Janeiro e em São Paulo, tímidas províncias que nada tinham da Hélade.

6. AUTORES:


O apego mais rigoroso aos princípios estéticos do Parnasianismo encontrou no Brasil alguns seguidores entusiasmados. Os mais destacados foram os poetas Olavo Bilac, Alberto de Oliveira e Raimundo Correia.







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