domingo, 29 de maio de 2011

O NOVIÇO, MARTINS PENA - O RETRATO DA SOCIEDADE CARIOCA DO SÉCULO XIX


I - AUTOR:


Luís Carlos Martins Pena nasceu em 18l5, no Rio de Janeiro, onde passou a maior parte de sua vida. Estudante da Academia de Belas-Artes dedicou-se à atividade literária, tendo publicado folhetins no Jornal do Comércio.

Foi entre nós, o fundador do Teatro de Costumes, onde a sátira tem como personagem a sociedade brasileira de então, suas convenções ultrapassadas, hipocrisias e corrupções. Foi decisivo o seu passo na evolução do teatro brasileiro, assim como foi patente a contribuição histórico-sociológica, além da linguística; e sobre aquela já afirmava Silvio Romero que, se todos os documentos e fontes históricas nos faltassem seria possível reconstruir a vida da sociedade brasileira tão somente através das comédias de Martins Pena.
Alcançou muito sucesso junto ao público, uma vez que a linguagem e o ambiente de suas peças são predominantemente populares e retratam de forma viva e pitoresca a sociedade da época.
Escrevendo farsas alegres, trazem um pré-realismo de sabor popular. Ora em cenário de ambiente rural, resgata os valores do homem do campo, sua cultura tradicionalista, seu moralismo; ora, de ambientação urbana, traça um painel da sociedade de seu tempo, denunciando-a.
O aspecto cômico chega por vezes tornar-se caricatural apresentando em suas peças elementos “típicos”, “caricaturais” da comédia pastelão.
Martins Pena escreveu vinte e duas comédias e seis dramas. Morreu em 1848, Lisboa, vítima de tuberculose. É patrono da cadeira 29 da ABL.

II – ESTILO LITERÁRIO:

Comédia romântica em três atos, encenada pela primeira vez em 1845, no Teatro de São Pedro, Rio de Janeiro.
A peça toda lembra as comédias pastelões dos anos 10, com personagens caricatos, situações mirabolantes, perseguições e violência gratuita.
As características românticas de “O Noviço” são o maniqueísmo, o "happy end", a temática da liberdade e a presença da cor local. Mas existem alguns elementos nesta peça que não se ajustam ao romantismo, como por exemplo, a denúncia social que se dá por meio do humor, da sátira e das caricaturas, e o comportamento pouco convencional, em termos de heroísmo romântico, de seu herói: Carlos utiliza-se de meios moralmente pouco recomendáveis para atingir o que pretende, aproximando-se deste ponto de vista do vilão, Ambrósio. Além disso, a união dos fracos e enganados (Florência e Rosa) contra a força (Ambrósio), transformando em capacidade de luta a submissão e em esperteza a ingenuidade, constitui recurso pouco frequente nos textos tradicionalmente românticos.

III - CARACTERÍSTICAS:

A peça “O Noviço” mostra-se como um todo harmônico e bem constituído, no que se refere à solidez das personagens, bem como na sua função de denúncia, sem moralismos, do comportamento social da sociedade carioca do século XIX. A espontaneidade dos diálogos é outro ponto alto na obra, conduzindo a uma visão realista dos fatos sociais. A ação apresenta uma simplicidade e um caráter puramente cômico que agrada o público, despertando seu profundo interesse e seu humor de forma quase imediata.
Talvez o grande mérito de Martins Pena tenha sido a espontaneidade com que fotografou o seu meio, uma facilidade quase orgânica e inconsciente, transmitindo ao leitor uma ação simples e sólida, mas que atinge sua meta: fazer rir.
- Efeito cômico imediato;
- Superficialidade psicológica das personagens;
- Utilização de recursos cênicos primários (o efeito do humor dependendo mais da ação que do diálogo);
- Linguagem coloquial;
- Cotidiano;
- Expressões típicas nacionais;
- Sátira à linguagem culta (preciosismo);
- Ação dinâmica.

IV - PERSONAGENS:

As personagens são reflexos nítidos de uma realidade brasileira, capaz mesmo dar testemunho dos caracteres sociais do século XIX, e pretender a transformação do fictício em fato.
As personagens da peça não possuem densidade psicológica, já que são constituídas por meio de estereótipos e de recursos caricaturais que as transformam em "tipos", sem identidade definida. Assim, temos a capacidade inconsciente de contribuir para os costumes viciosos e ridículos através da repetição de nossos erros, transformando-nos algumas vezes em personagens de comédias e farsas.

Ambrósio - marido de Florência, velhaco, esperto, falso e ganancioso
Florência - viúva rica, casada em segunda vez com Ambrósio, mãe de dois filhos, ingênua, submissa, personalidade fraca e iludida.
Carlos - sobrinho de Florência, apaixonado pela prima Emília, é o noviço, rebelde. Herói da peça, mas não típico romântico, uma vez que os meios de que se utiliza para atingir seus objetivos aproximam-se daqueles usados por Ambrósio.
Emília - filha de Florência, símbolo de obediência e resignação.
Juca - filho de Florência, garoto de nove anos, “comprado” com presentes para obedecer aos planos do padrasto e mãe submissa.
Rosa - Primeira esposa de Ambrósio, provinciana e ingênua.
Padre-Mestre - responsável pelos noviços na ordem de São Bento, é ridicularizado por ser sempre ludibriado pelo noviço.
José - criado da casa e cúmplice de Ambrósio.
Jorge – vizinho e dono de uma loja.

V - TEMPO E ESPAÇO:

A ação se passa no Rio de Janeiro.
O tempo é cronológico e se passa na primeira metade do Século XIX,o que pode ser comprovado pelos hábitos da sociedade carioca focalizada no enredo.

VI – ESTRUTURA DA OBRA:

É dividido em três atos, em vez de possuir apenas um, como a maioria dos outros trabalhos, podendo, assim, desenvolver melhor tanto a trama quanto os tipos.
O primeiro ato apresenta 16 cenas; o segundo, 9 cenas; e o terceiro, 19 cenas. Cada cena é marcada pela entrada ou saída de uma das personagens.
No primeiro ato apresentam-se o hipócrita e interesseiro Ambrósio, que casou com a crédula Florência; o noviço Carlos que com mais vocação para militar fugiu do convento para casar-se com Emília (filha de Florência e sua prima). Aparece também Rosa, primeira esposa de Ambrósio (não havia divórcio na época), que foi abandonada por ele após ter seus bens roubados. Carlos encontra Rosa e esta fornece-lhe meios para chantagear Ambrósio e permitir-lhe sair corretamente do convento, retirar Emília e Juca (irmão mais novo de Emília) da vida religiosa que Ambrósio planejava para eles e casar com Emília.
A chantagem ocorre no segundo ato, junto com a revelação a Florência de que o marido é bígamo; Ambrósio foge.
No terceiro ato, após muita confusão, Ambrósio é preso, Carlos liberto de ir ao convento ou ser preso (ele atacara um frade na fuga) e o casal fica livre para casar.

VII - ENREDO:

ATO I

Sala ricamente adornada: mesas, consolos, mangas de vidro, jarra com flores, cortinas, etc. No fundo, porta de saída e uma janela.
Ambrósio, não totalmente vestido, só, de calça preta e chambre e medita sobre a fortuna.

“No mundo a fortuna é para quem sabe adquiri-la. Pintam-na cega...Que simplicidade! Cego é aquele que não tem inteligência para vê-la e a alcançar. Todo o homem pode ser rico, se atinar com o verdadeiro caminho da fortuna. Vontade forte, perseverança e pertinácia são poderosos auxiliares. Qual o homem que, resolvido a empregar todos os meios, não consegue enriquecer-se? Em mim se vê o exemplo. Há oito anos, era eu pobre e miserável, e hoje sou rico, e mais ainda serei. O como não importa; no bom resultado está o mérito...Mas um dia pode tudo mudar. Oh, que temo eu? Se em algum tempo tiver de responder pelos meus atos, o outro justificar-me-á e serei limpo de culpa. As leis criminais fizeram-se para os pobres...”

Percebe-se nele a ganância e a falsidade, além de sua pretensão de alcançar status e riqueza, sem se importar com os meios e sim, com o fim, expressando certa influência de Maquiavel. Certo que se um dia tiver que responder na justiça, nada aconteceria a ele; pois, as “leis se fazem somente aos pobres”.
Entra Florência vestida de preto, arrumada para ir com a família ao ofício de Ramos e apressa o marido que ainda não está pronto. Ele argumenta que ainda é cedo. São nove horas e o ofício começará às onze e meia.
Ambrósio pergunta-lhe sobre o que Emília, filha de Florência, achava sobre o plano de colocá-la num convento. Florência responde que Emília tende ao projeto da mãe.

“O que pensa não sei eu, nem disso se me dá; quero eu – e basta. E é seu dever obedecer.”

Ambrósio começa a elogiar Florência e também, ao falecido seu ex-marido, que fora um homem prudente, morrendo e deixando-lhe uma grande fortuna.
Completa se inocentando, dizendo que quando a conheceu foi atraído por seus atrativos e não por sua herança, mas ao público confessa a verdade. E que agora casado com ela, mesmo sem interesses, era seu dever zelar por sua fortuna.
Florência acha ótimo isso e Ambrósio acha-a uma tola. Florência parece indicar que está cega de paixão e não mede as consequências de seus atos.
Ambrósio planeja confinar Emília, uma das herdeiras, num convento, insinuando sobre os perigos do casamento e do marido exigir a legítima da sua mulher.

“AMBRÓSIO: Tua filha está moça e em estado de casar-se. Casar-se-á, e terás um genro que exigirá a legítima de sua mulher, e desse dia principiarão as amofinações para ti, e intermináveis demandas. Bem sabes que ainda não fizestes inventário.”

Ambrósio insistia para Florência fazer o inventário, acrescentando que Juca, seu filho menor, Juca, depois de crescido, poderia querer casar-se e, teriam novas demandas...
Ambrósio, então, sugere colocar os dois filhos num convento. Alegava que esse mundo era um pélago de enganos e traições, enquanto o convento, a paz e a tranquilidade. Acrescentava que hoje, Emília, sofreria com a ideia, mas, futuramente ela só teria em agradecer. E quanto ao filho, Juca, já era bom que ele se acostumasse com a ideia de ser frade.
Ambrósio quer habituar Juca, filho mais novo de Florência, à vida religiosa, tendo pedido a Florência que comprasse um hábito de frade para o menino de apenas nove anos.
Enquanto isso, Ambrósio diz à platéia: ”a legítima fica em casa”.
Nesse momento, entra Juca de hábito dizendo que não gosta daquela roupa, que atrapalhar suas brincadeiras e que não quer ser frade.
Ambrósio tenta coagir o menino a tornar-se frade, dizendo que se ele não obedecesse não ganharia o carrinho bordado de prata com cavalos de ouro e arreios todos enfeitados de fitas de veludos.
Juca quer saber onde está o carrinho. Ambrósio diz que já encomendou e que é muito bonito.

“JUCA: Os cavalos são de ouro?
AMBRÓSIO: Pois não, de ouro com os olhos de brilhantes.
JUCA: E andam sozinho?
AMBRÓSIO: Se andam! De marcha e passo.
JUCA: Andam, mamãe.
FLORÊNCIA: Correm, filhinho.
JUCA (saltando de contente): Como é bonito! E o carrinho tem rosas, capim para os cavalos, uma moça bem enfeita?
AMBRÓSIO: Não lhe falta nada.
JUCA: E quando vem?
AMBRÓSIO: Assim que estiver pronto.
JUCA: Eu quero ser frade, eu quero ser frade...”

Juca, “comprado” sai feliz e convencido que quer tornar-se frade.
Florência sugere que Ambrósio compre para Juca um carrinho. Ambrósio, rindo, quer saber se com cavalos de ouro. Florência responde que basta uma caixinha com soldados de chumbo.
Ambrósio diz à Florência que assim que se faz: “de pequenino se torce o pepino”, mas a sua preocupação era com Carlos, sobrinho de Florência, e sua tutora, que há seis meses entrou para o convento como noviço. Florência tem medo que ele fuja.
A ambição de Ambrósio, assim, não tem limites. Suas intenções não se restringem apenas aos filhos de Florência, estendem-se também a Carlos.
Ambrósio sai e Florência reflete como foi feliz na escolha de seu segundo casamento.

“FLORÊNCIA: Se não fosse este homem com quem casei-me segunda vez, não teria agora quem zelasse com tanto desinteresse a minha fortuna. É uma bela pessoa...Rodeia-me de cuidados e carinhos. Ora, digam lá que uma mulher não deve casar-se segunda vez...Se eu soubesse que havia de ser sempre tão feliz, casar-me-ia cinquenta.”

Entra Emília, vestida de preto e triste. Florência que saber o motivo da tristeza da filha.
Emília diz que não tem inclinação para o convento, mas fará a vontade da mãe. Mesmo assim não pode deixar de estar triste.
A mãe retruca seu procedimento dizendo que estava fazendo o melhor a ela, tirando-a das garras de um “qualquer”, frequentador de bailes ou jogador de cartas. Tenta repetir as palavras de Ambrósio sobre o mundo; mas perde-se, gagueja e não consegue se lembrar das palavras do marido.
Emília fica só e diz:

“EMÍLIA: É minha mãe, devo-lhe obediência, mas este homem, meu padrasto, como o detesto! Estou certa que foi ele quem persuadiu a minha mãe que me metesse no convento. Ser freira? Oh, não, não! E Carlos, que tanto amo? Pobre Carlos, também te perseguem! E por que nos perseguem assim? Não sei. Como tudo mudou nesta casa, depois que minha mãe casou-se com este homem! Então não pensou ela na felicidade de seus filhos. Ai, ai!”

Dessa maneira, através de seus pensamentos, ficamos sabendo que, ela odeia o padrasto e sobre seu amor por seu primo, Carlos.
Na outra cena, aparece Carlos vestido de hábito.
Emília assusta-se com a presença de Carlos, que fugiu do convento porque jejuava há sete dias e que naquele dia, ele tinha discutido com o D. Abade e batido nele (“cabeçadas, que o atirei por esses ares”).
Emília compadece-se com a situação do primo. Foram seis meses de martírio para Carlos.
Carlos falava que não tinha inclinações para frade, e nem para jejuar; que tinha fome três vezes ao dia e sentia atração pela carreira militar. Também, gostava de teatro, mas, no convento, somente o Frei Maurício frequentava-o, ainda por cima disfarçado.
Carlos acha um absurdo o disparate entre as inclinações e as profissões das pessoas. Emília concorda.

“CARLOS: O tempo acostumar! Eis aí porque vemos entre nós tantos absurdos e disparates. Este tem jeito para sapateiro: pois vá estudar medicina...Excelente médico! Aquele tem inclinação para cômico: pois não senhor, será político...Ora, ainda isso vá. Estoutro só tem jeito para caiador ou borrador: nada, é ofício que não presta...Seja diplomata, que borra tudo quanto faz. Aqueloutro chama-lhe toda a propensão para a ladroeira; manda o bom senso que se corrija o sujeitinho, mas isso não se faz: seja tesoureiro de repartição, fiscal, e lá se vão os cofres da nação à garra...Essoutro tem uma grande carga de preguiça e indolência e só serviria para leigo de convento, no entanto vemos o bom do mandrião empregado público, comendo com as mãos encruzadas sobre a pança o pingue ordenado da nação.”


Não criticava o convento, mas lá era bom só para quem tivesse vocação, mas era mentira essa história de se acostumar; pois, só seriam pessoas frustradas.
Para Carlos há uma tendência para a morte da inteligência e “fazem do homem pensante máquina estúpida”. Um poeta ou um escritor que não pode seguir sua carreira, pois não é valorizado no Brasil, morre de fome, obriga-o tornar-se escriturário de uma repartição pública para poder se manter, matando dessa forma, sua imaginação e criação.
Carlos revoltado põe-se a marchar.
Emília chega a desconhecer o primo, que se defende afirmando que é devido às contradições que está vivendo. Ela tenta acalmá-lo dizendo que a mãe quer fazê-la freira. Carlos perante essa declaração, conclui que Ambrósio era um velhaco interesseiro.
Antes viviam tão felizes, mas agora tudo parecia um tormento.
Carlos fala que Ambrósio persuadiu a tia, pois Florência era tutora dele e sabia do seu amor por Emília e agora se submete às imposições do marido.
O único motivo era para ele roubar impunemente a herança toda.

“CARLOS: Um frade não põe demandas...”

Na cena seguinte, entra Juca, vestido de hábito e diz que a mãe pergunta por Emília.
Carlos conclui que ele estava totalmente certo em suas suspeitas. Emília e Juca saem de cena e Carlos fica a matutar planos para desmascarar Ambrósio, até que batem à porta.

“CARLOS: Hei-de descobrir algum meio...Oh, se hei-de! Hei-de ensinar a este patife, que casou-se com minha tia para comer não só a sua fortuna, como a de seus filhos. Que belo padrasto!...Mas por ora tratemos de mim; sem dúvida no convento anda tudo em polvorosa...Foi boa cabeçada! O D. Abade deu um salto de trampolim...(Batem à porta).
Batem? Mau? Serão eles? (Batem) Espreitemos pelo buraco da fechadura (Cai espreitar).
É uma mulher... (Abre a porta).”

Era Rosa, moça simples, provinciana que confunde Carlos com um padre, justamente pelos seus trajes.
Esta conta que veio do Ceará, no vapor Paquete do Norte. Lugar triste, onde em apenas um mês assistiu a vinte e cinco mortes, procurava Sr. Ambrósio Nunes, seu marido, casados há oitos anos.
Carlos empalidece, interroga-a e Rosa conta a sua verdade.

“ROSA: Quando tinha 15 anos, Ambrósio, vindo do Maranhão, foi morar em sua vizinhança, viam-se todos os dias, a vizinhança comentava, enamoraram-se e casaram.”

Rosa explica que há seis anos Ambrósio havia tomado conta dos seus bens, após a morte de sua mãe, vendera tudo e partira para Montevidéu para empregar o capital num negócio que, segundo ele, traria muitos lucros e nunca mais apareceu.
Rosa escreveu-lhe, mas não obteve resposta.
Ela confidencia tudo a Carlos, acreditando que ele fosse um confiável frade.
Carlos pede que ela continue e pergunta se tem documentos que comprovam seu casamento.
Ela tirou duas cópias da certidão de casamento, constando testemunhas. A esposa abandonava já estava descrente de encontrá-lo, até que um dia, um sujeito do Rio de Janeiro, em passagem por lá, contou-lhe que Ambrósio estava morando no Rio e casado. Então, ela veio pessoalmente resolver o caso.
Carlos pede-lhe que confie nele e lhe entregue uma das certidões.
Essa descoberta cria as condições propícias para colocar sua vingança em prática. Essa vingança representará o eixo do enredo da comédia.
Escutam a voz de Ambrósio, vindo de lá de dentro, apressando a família. Carlos esconde Rosa em um quarto e vai até a sala.
Quando Ambrósio entra na sala, acompanhado por Florência e Emília, encontram-se com Carlos e levam um grande choque.
Há uma discussão entre eles por sua “fuga” do convento. Carlos insinua-se ao tio, Florência e Emília assustam-se com esse procedimento.

“AMBRÓSIO: Como é lá isso?
CARLOS: Não é da sua conta.
FLORÊNCIA: Que modos são esses?
CARLOS: Que modos são? São os meus.
EMÍLIA (à parte): Ele se perde!
FLORÊNCIA: Está doudo!
CARLOS: Doudo estava alguém quando...Não me faça falar...
FLORÊNCIA: Hem?
AMBRÓSIO: Deixe-o comigo. (para Carlos) Por que saíste do convento?
CARLOS: Porque quis. Então não tenho vontade?
AMBRÓSIO: Isso veremos. Já para o convento!”


Carlos diverte-se com Ambrósio, fala indiretamente de casamento e Florência intercede a favor do marido contra a falta de educação do sobrinho. Ele, em seguida, encaminha o tio até o quarto em que Rosa estava escondida.
Carlos rindo, insulta Ambrósio por sua safadeza e também, sua tia por ser assanhada e casar-se novamente nessa idade.
Rosa sem entender nada e confiando em Carlos, quando escuta vozes de mulheres e vê seu marido, desmaia.
Ambrósio desesperado ao ver Rosa, volta-se para Florência e Emília, e, toma-as pelo braço, levando-as embora rapidamente, sem tempo de apanhar o chapéu.
Carlos pergunta: “Então, senhor meu tio? Já não quer que eu vá para o convento? (Depois que ele sai.) Senhor meu tio, senhor meu tio? (Vai à porta, gritando.)”
Carlos pede ajuda a Juca que lhe traz um galheteiro para tentar reanimá-la.
Nesse momento, escutam-se rumores na rua. Eram o Mestre de Noviços e os meirinhos que procuravam o noviço fugitivo.
Carlos assusta-se e cria um plano para se salvar: fala que são soldados e o meirinho que vieram para prender Rosa por ordem de Ambrósio. Promete salvá-la, mas para isso deveriam trocar de roupas, para confundi-los.
Carlos acha que seu plano funcionará, já que o Mestre dos Noviços catacego não perceberá a diferença. Juca ajuda-os e, quando entram em casa, Carlos imita voz de mulher.
Carlos apresenta-se como a tia de Carlos. Conta que será preciso surpreendê-lo para levá-lo de volta. Instrui a todos que esperem o sobrinho sair. Devem lançar-se de improviso sobre ele e levá-lo à força, não se importando com o que ele disser ou gritar.
Carlos chama Rosa e assim que ela entra na sala, o Mestre dos Noviços dá voz de prisão e os meirinhos lançam-se sobre ela e levam-na. Ela grita por socorro.
Carlos os estimula a levarem e toca um assobia que está sobre a mesa.

ATO II

Carlos, ainda vestido de mulher, está sentado e Juca à janela. Ele pede a Juca que avise, caso aviste o padrasto no fim da rua.

“CARLOS: No que dará tudo isto? Qual será a sorte de minha tia? Que lição! Desanda tudo em muita pancadaria. E a outra, que foi para o convento?...Ah, ah, ah, agora é que me lembro dessa! Que confusão entre os frades, quando ela se der a conhecer! (...) Ah, que festa perco eu! Enquanto eu lá estive ninguém lembrou-se de dar-me semelhante divertimento. Estúpidos! Mas, o fim de tudo isto? O fim?...”

Ambrósio abandona a esposa e a enteada na igreja e volta para casa encontrando Carlos com a roupa de Rosa, confundindo-o e a ameaça.

“AMBRÓSIO: Senhora, muito bem conheço as vossas intenções; porém, previno-vos que muito vos enganastes.
CARLOS (suspirando): Ai, ai!
AMBRÓSIO: Há seis anos que vos deixei; tive para isso motivos muito poderosos...
CARLOS (à parte): Que tratante!
AMBRÓSIO: E o meu silêncio depois desse tempo, devia ter-vos feito conhecer que nada mais existe de comum entre nós.
CARLOS (fingindo que chora): Hi, hi, hi...
AMBRÓSIO: O pranto não me comove. Jamais poderemos viver juntos...Fomos casados, é verdade, mas que importa?”


Carlos finge chorar e Ambrósio torna-se persistente. Carlos tira o disfarce rindo.
Ambrósio desespera-se e quer ver Rosa.

“CARLOS: Procure bem. Deixa estar, meu espertalhão, que agora te hei-de eu apertar a corda na garganta. Estais em meu poder; queres roubar-nos...(Gritando:) Procure bem; talvez esteja dentro das gavetinhas do espelho. Então? Não acha?”

Agora é a vez de Carlos ameaçá-lo exibindo a cópia da Certidão de Casamento.
Diz que Ambrósio ainda não está perdido, porque pode salvá-lo, debaixo de certas condições. Pretende casar-se com Emília e exige sua legítima. Dá a palavra de honra que Rosa não voltará. Ambrósio ajoelha-se aos pés de Carlos. Pede o papel e promete tudo que ele quiser.
Nesse momento, entram Florência e Emília, que preocupadas com a ausência de Ambrósio foram procurá-lo e surpreende-os nessa posição.
Florência não reconhece Carlos vestido de mulher. Fica irada e acusa Ambrósio de patife e a mulher de desgraçada pensando ter pegado um flagrante do esposo adúltero.
Ao reparar melhor, Florência reconhece o sobrinho e fica por não entender nada.

“FLORÊNCIA: Ah, é uma desgraçada...Seduzindo um homem casado! Não sabe que...(Carlos que encara com ela, que rapidamente tem suspendido a palavra e, como assombrada, principia a olhar para ele, que ri-se.) Carlos! Meu sobrinho!”

Carlos arruma uma saída, disfarçando estarem ensaiando uma comédia para sábado de Aleluia e que queriam fazer surpresas a todos.

“AMBRÓSIO: Sim, era uma comédia, um divertimento, uma surpresa. Eu e o sobrinho arranjávamos isso...Bagatela, não é assim. Carlinho? Mas então você não ouviram o ofício até o fim? Quem pregou?”

Florência desconfia que estão escondendo algo. No entanto, Carlos diz que basta que saiba que é uma comédia.
Informa que antes do ensaio, Ambrósio havia concordado que o convento não era a melhor opção para Carlos e Emília e, sim, o casamento deles, visto que agora tinha percebido que os dois se amavam.

“AMBRÓSIO: Quando se fecham as portas de um convento sobre um homem, ou sobre uma mulher que leva dentro do peito uma paixão como ressentem estes dois inocentes, torna-se o convento abismo incomensurável de acerbos males, fonte perene de horríssonas desgraças, perdição do corpo e da alma; e o mundo, se nele ficassem, jardim ameno, suave encanto da vida, tranquila paz da inocência, paraíso terrestre. E assim, sendo, mulher, quererias tua que sacrificasse tua filha e teu sobrinho?
FLORÊNCIA: Oh, não, não.
CARLOS (a parte): Que grande patife!”

Carlos diz que em reconhecimento de tanta bondade, desistirá da metade de seus bens e passa-lhe a cópia da Certidão de Casamento, simulando ser uma escritura.
Ambrósio pega a Certidão e abraça-o e, para mostrar seu desinteresse, rasga a falsa escritura.
Florência abraça o marido convencida de sua honestidade e de seu amor. Faz-lhe elogios, deixando-o envergonhado e Carlos por sua vez, diz-lhe indiretas sutis.
Ambrósio compromete-se ir pessoalmente ao convento tratar sobre a liberação de Carlos o mais rápido possível.

“AMBRÓSIO: (...) dir-lhe-ei que temos mudado de resolução a teu respeito. E de hoje a quinze dias, senhora, espero ver esta sala brilhantemente iluminada e cheia de alegres convidados para celebrarem o casamento de nosso sobrinho Carlos com minha cara enteada. (Aqui entra pelo fundo o mestre dos noviços.)”


Emília aceita a felicidade proposta e dá sua mão a Carlos. Este diz a Emília que ninguém será capaz de arrancá-lo de seus braços. Entretanto, quando parece que tudo estava resolvido, aparece o Padre-Mestre com ordem de prisão a Carlos. Mesmo a família tentando impedir a prisão de Carlos, o Padre-Mestre disse que teria que cumprir ordens, pois agora o que o noviço havia aprontado era demais.

“PADRE-MESTRE: Não tomara sobre mim tal trabalho, se não fora por expressa ordem do D. Abade, a quem devemos todos obediência. Vá ouvindo como esse moço zombou de seu mestre. Disse-me a tal senhora, pois tal a supunha eu...Ora fácil foi enganar-me...Além de ter má vista, tenho muito pouca prática de senhoras...”

Conta aos familiares que Carlos além de fugir do convento, bater do D. Abade, passou-se pela tia e tinha enganado a todos enviando em seu lugar uma mulher no dia em que foi detido, causando dessa forma o maior tumulto no convento.
Ambrósio impacienta-se em querer saber sobre a tal mulher, aonde ela se encontrava agora, se tinha sido liberada e Florência percebe a sua aflição.
O Mestre diz que para ele, particularmente seria uma alívio que Carlos nunca mais voltasse para o convento, pois em doze anos de Mestre de Noviços, nunca tinha conhecido alguém tão endiabrado como Carlos, mas ordens eram ordens e ele ia cumpri-las.
Florência comunica ao Mestre sua decisão de tirar Carlos do convento. O Mestre pede que ela se entenda com o Abade.
Florência explica a falta de inclinação do rapaz, então, o Mestre pergunta á ela qual foi o motivo de o enviarem ao convento, já que sabiam que ele não tinha vocações. Ela responde que foi gosto do marido. Os olhares procuram os de Ambrósio e ele se defende dizendo que queria agradar a Deus, enviando-lhe uma representante na terra. O Mestre repreende-o dizendo que, Deus não se compraz com sacrifícios alheios e Ambrósio cinicamente pede-lhe perdão.
Mesmo assim, Carlos é levado para o convento a fim de que não dê maus exemplos aos outros noviços.
Florência pede para fica a sós com o marido e interroga-o sobre a mulher que estava escondida no quarto.
Sem saída, Ambrósio confessa-lhe que a conhecia: foi no passado, antes mesmo dele conhecer Florência e se apaixonar por ela. Na época, acreditou que fosse sua estrela, mas, depois de conhecer Florência convence-se que só amou a estrela por que não conhecia a lua. Diz à esposa que ele, Ambrósio será sempre o seu satélite.
Ambrósio para ser mais convincente, apela para frases ensaiadas:

“AMBRÓSIO: Estes raios brilhantes e aveludados de teus olhos ofuscam o seu olhar acanhado e esgateado. Estes negros e finos cabelos varrem da minha ideias as suas emaranhadas melenas cor de fogo. Esta mãozinha torneada (pega-lhe na mão), este colo gentil, esta cintura flexível e delicada fazem-me esquecer os grosseiros encantos dessa mulher que...”
(Nesse momento dá com os olhos em Rosa; vai recuando pouco a pouco.)
FLORÊNCIA: O que tens? De que te espantas?
ROSA (adiantando-se): Senhora, este homem pertence-me.”

Rosa conta a sua história, confirmando-a com a cópia da Certidão de Casamento.
Ambrósio vendo-se perdido tenta fugir pela porta dos fundos, mas é detido pelos meirinhos que acompanhavam Rosa.

“AMBRÓSIO: Ao! (Corre por toda a casa, etc. Enquanto isto se passa, Florência tem lido a Certidão.)
FLORÊNCIA: Desgraçada de mim, estou traída! Quem me socorre? (Vai para sair, encontra-se com Rosa.) Ah, para longe, para longe de mim! (Recuando.)
ROSA: Senhora, a quem pertencerá ele? (Execução.)”


ATO III

Quarto em casa de Florência: mesa, cadeiras, uma armário, uma cama grande com cortinados, uma mesa pequena com um castiçal com vela acesa. É noite.
Florência está acamada, devido ao choque que sofreu. Emilia consolá-la e pede que tenha paciência e resignação. Ela chora e lamenta-se do acontecido. Não se conforma de ter sido enganada por Ambrósio e de ter acreditado em suas promessas de amor.
Ela está totalmente arrependida de ter lhe dado ouvidos e providencia a soltura definitiva de seu sobrinho. Pede a Emília que chame José, o criado, para que ele leve uma carta ao D. Abade e acrescenta que em seguida, Emília providencie a demissão desse empregado, pois não confiava nele, visto que fora indicado por Ambrósio.
Florência está muito decepcionada e pede para a filha deixar-lhe sozinha. Precisa recuperar-se para vingar-se de Ambrósio. Ela havia mudado de quarto e estava no quarto que fora de Carlos, pois todos os “objetos” de seu quarto lembravam o mau caráter de Ambrósio e a faziam sofrer mais. Reflete sobre Rosa e conclui que ela não tinha culpa, ao contrário, tinha sido mais uma vítima de Ambrósio.
Os homens são perversos, mas Ambrósio ficará detido por seis anos na cadeia para pagar a sua bigamia. Depois de mais alguns lamentos, dorme.
Carlos foge novamente do convento e entra escondido pelos fundos. Ainda trajando hábito, encaminha-se até o seu antigo quarto. Lá, depara-se com sua tia dormindo. Nada entende, pois desde o momento que foi levado pelo Padre-Mestre, esteve incomunicável, a pão e água e não soubera dos acontecimentos da família.
Escuta palmas e não tem dúvida tratar-se dos frades que estariam em sua perseguição, principalmente agora por ter assassinado um frade para poder fugir. Temendo nova prisão, esconde-se debaixo da cama que a tia dormia.
Florência pede que vejam quem está batendo. Acordou sobressaltada. Estava sonhando que seu primeiro marido enforcava o segundo.
Florência diz que era o Padre-Mestre á procura do noviço, que fugira novamente. A tia confessa que não tem notícias de seu sobrinho desde a sua prisão anterior, mas sabendo que o sobrinho tinha aprontado poderiam ficar tranquilos, caso ele aparecesse o denunciaria. Acredita que Carlos precise mesmo de um pouco de disciplina para acalmar o seu gênio.
Carlos embaixo da casa ouve tudo e aproveita que sua prima estava perto, puxa-lhe o pé. Emília se assusta, em seguida o reconhece, mas guarda segredo de seu paradeiro.
Chega José, o empregado acompanhado por um padre enviando pelo D. Abade.
Mas, na verdade era Ambrósio disfarçado de padre. Florência o recebe dizendo que tinha enviando uma carta para o D. Abade para tratar assuntos do sobrinho, mas que agora já estava tudo encaminhado. Ambrósio aproveita para dar uma boa gorjeta para José que sai sorrindo.
Florência não queria incomodá-lo, mas já que ele estava ali, gostaria de confessar-se. Florência desabafa com o padre, na verdade, o falso padre, fala da mágoa que estava sentindo, acusa Ambrósio e diz que deseja que ele pague por sua safadeza.
Ambrósio responde com um “hum, hum”. Florência pergunta se está constipado. Ele responde que sim, disfarçando a voz.
Carlos, escondido, nota que não conhece a voz daquele padre.
Ambrósio tira o capuz e apresenta o verdadeiro cafajeste que é, exigindo dinheiro, jóias para poder fugir, chegando até a ameaçá-la de morte.
Carlos embaixo da cama assiste a tudo. A luz se apaga e Florência aproveita-se do escuro e se joga no chão cobrindo-se com uma colcha. Carlos sai de seu esconderijo e dá uma bofetada em Ambrósio que fica perdido sem saber de onde vem o soco.
Entram pelo fundo quatro homens armados acompanhados por Jorge, um vizinho, dono de uma loja, que ouvira os gritos de socorro e viera em socorro.
Florência corre por toda a casa gritando. Carlos vai saindo e ouve gritos que pedem para Florência abrir a porta. Florência encolhe-se num canto.
Ambrósio procura por ela, mas acaba pegando Carlos, que lhe dá uma bofetada e volta para baixo da cama. Ambrósio esconde-se num armário.
Florência diz que era um ladrão e que estava vestido de hábito, mas que tinha fugido.
Jorge e seus companheiros procuram pelo ladrão. Jorge acredita que ele não teve tempo de sair.
Emília corrige a mãe dizendo que ela estava enganada, pois quem estava de frade era o Carlos. Florência diz que ela tem certeza que era Ambrósio que estava de frade. Os homens saem á captura do dito ladrão de hábito. Vasculhando o quarto, encontram Carlos escondido debaixo da cama. Carlos tenta fugir, mete-se atrás do armário e acaba derrubando-o. Carlos é perseguido a bordoadas.

“FLORÊNCIA: Pagou-me!
EMÍLIA (chorando.): Então, minha mãe, não lhe disse que Ra o primo Carlos?
FLORÊNCIA: E continua a teimar?
EMÍLIA: Se eu o vi atrás da cama!
FLORÊNCIA: Ai, pior, era teu padrasto.
EMÍLIA: Se eu o vi!
FLORÊNCIA: Se eu lhe falei!...É boa teima!”

Enquanto as duas discutem, entre Juca e diz que “a mulher do papa” quer falar com Florência.
Florência resolve que Rosa não tem culpas e decide recebê-la.
As mulheres queixam-se da traição e depois reconhecem que de nada adianta odiarem-se, ambas eram vítimas e decidem se unir para perseguirem o traidor.
Rosa diz que apesar de provinciana é decidida e trazia consigo um mandado de prisão para o marido.
Florência conta que Ambrósio esteve ali,, mas não conseguiram pegá-lo. Levou uma caçada de pau. Rosa quer saber por onde ele estará agora.
Enquanto conversavam, Ambrósio que estava escondido dentro do armário sente-se sufocado e arrebenta uma tábua do mesmo, para melhor respirar. Pede que levantem o armário.
Florência e Rosa o surpreendem e aproveitam-se do momento para suas vinganças, tendo em vista, Ambrósio estar preso entre o assoalho e o armário.
Ambrósio luta através de palavras doces e falsas promessas para livrar-se do armário, tentando iludir ora uma, ora outra.
Pegam de um cabo de vassoura e começam a dar pauladas em sua cabeça. Florência pede que ele bote a cabeça para fora e diz que ele pode gritar à vontade que ela já chorou muito.
As duas vingam-se. Florência pede que parem, pois chamarão os oficiais de justiça. Rosa quer continuar, mas Florência afirma que já estão vingadas e que agora é problema da justiça. Fingem sair, mas espreitam junto ao armário.
Ambrósio, achando que estava só tenta fugir. Mas Florência e Rosa batem nele e riem da situação.
Entram Emília, Jorge, os meirinhos e Carlos que tinha sido capturado. Esclarece-se o engano. Carlos é libertado pelos meirinhos e quando os soldados iam se retirar, Rosa apresenta o mandado de prisão lavrado contra um homem que se ocultava dentro do armário.
Todos ficam surpresos ao verem Ambrósio de hábito e preso entre as tábuas.
Ambrósio declara que fora tolo, pois devia se lembrar antes de se casar com duas mulheres, que basta de uma para fazer o homem desgraçado.

“AMBRÓSIO: Um momento. Estou preso, vou passar seis anos na cadeia. Exultai, senhoras. Eu me deveria lembrar antes de me casar com duas mulheres, que basta só uma para fazer o homem desgraçado. O que diremos de duas? Reduzem-no ao estado em que me vejo. Mas não sairei daqui sem aos menos vingar-me em alguém. (Para os meirinhos:) Senhores, aquele moço fugiu do convento depois de assassinar um frade.”


Nesse momento, entra o Mestre dos Noviços para prender Carlos; mas, na mesma hora chega o Padre-Mestre dando liberdade ao noviço, pois o Abade julgou ser mais prudente que Carlos não voltasse para lá.
Termina a cena com o Padre-Mestre, desejando justiça às senhoras, felicidades ao casal (Carlos e Emília) e ao público: indulgências.
Ambrósio é levado, falando: - mulheres, mulheres....

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