segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

METÁFORAS, Valéria de Cássia Pisauro Lima



Quero libertar
A palavra
Antes muda,
Transmuda
Que agora muda
E transforma
Sua forma
Caiada,
Mal falada
Não dita,
Em desdita,
Matéria pura,
Codificada,
Cifrada,
Edificada.



Quero alforriar
A frase sentenciosa
Das bocas vazias
Das mentes ilhadas
Das noites, dias,
Madrugadas
Ousadias embriagadas
De poetização
Fluidez de sonhos
Das amarras da opressão
Num banquete exato
Nas incertezas devassas
Sacrificada, sufocada
Margem entre a loucura e ilusão
Revelar-se entre o sim e o não.



Busco a síntese
Da sintaxe
Do insólito texto
Gramatical enferma
Construção letal
Da frase autorizada
Antes, trancafiada
Agora, libertada
Embalada na melodia
Em versos, métrica e rimas
Sua penúltima verdade
Em forma de cantoria
Esvaída, livre, musical
Ao encontro da poesia
Última verdade universal.


Um comentário:

Cláudio Caldas disse...

Podemos nos chamar de parceiros neste seu inspirado poema que versa sobre o universo da palavra?
:)