terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

MANEIRISMO

I – DADOS CRONOLÓGICOS:

Século XVI (1530 a 1580)

II – CONTEXTO HISTÓRICO-CULTURAL:

Entre a Alta Renascença e o Barroco, desde a morte de Rafael, em 1520, até 1600, a arte ficou num impasse.
Michelangelo e Rafael eram chamados “divinos” e por “bella maniera”, os reis imploravam por suas obras. A arte havia atingido o auge de perfeição, harmonia e racionalidade, mas os tempos eram de desordem.
Roma tinha sido tomada pelos germânicos e espanhóis, e a Igreja tinha entrado em decadência durante a Reforma. Refletindo esse momento de instabilidade, os artistas entram em contradição e a razão foi substituída pela emoção; a realidade pela imaginação e a harmonia pelo desequilíbrio.
Enquanto que, na época da Alta Renascença, a pintura tinha uma composição simétrica, com o peso dirigido para o centro; na Renascença tardia, a composição se tornou oblíqua, com um vazio no centro e as figuras concentradas e frequentemente cortadas junto à moldura.
O caos mundial era refletido nas obras de arte; e, a divisão da fé que era unificadora; repartiu-se, tirando-lhe o equilíbrio, a clareza e a nitidez.
Florença de 1530 passa ser influenciada pelo Neoplatonismo – pensamento idealista e metafísico.
Divide-se em dois momentos:
1. Século III – Plotino – substância filosófica ou cristianismo.
2. 1470 – Florença – o pensador Marcílio Ficino, humanista e religioso traduziu textos gregos para o latim, e a família Médici aprovou, financiou o grupo e patrocinou a Academia Neoplatônica (lugar onde produz questionamentos e reflexões filosóficas).

Embora, dizia ser religiosa, a “Academia” era leiga; formada pela elite intelectual e por alguns padres que a frequentavam. O intuito era de pacificar os nobres, a fim de evitar a guerra e a perda de poder, concentrando as pessoas nos bens espirituais, proporcionando um exercício prazeroso.

“Desprezar tudo que é da ordem material (ideias de estoicismo) e voltar-se para o espírito como caminho da ascese e da purificação.”

A ideia baseava no pensamento filosófico que Deus não salva, porém explica o conceito que independe do nosso entendimento.
Deus é o homem, as árvores, o belo, a natureza etc, enfim, a ideia de todas as coisas. Perante essa definição filosófica, as pessoas passam a buscar uma arte dentro desses conceitos: porta para que vislumbrem o Bem e o Belo.

III – CARACTERÍSTICAS:

Trata-se de um estilo florentino, curto; porém, forte, intelectualizado e desenvolvido em círculos do poder. O Maneirismo deu influência em algumas práticas artísticas coloristas e não gráficas, envolvendo conceitos filosóficos.
Arte abstrata, não representa o visível; pois, baseia-se em conceitos obscuros, fantasiosa, traduzindo os olhos da mente, tornando-se fria para os espectadores que não fazem parte do círculo dos intelectuais.
O objetivo era expressar e materializar as imagens mentais; pois, a matéria morre, mas a ideia é eterna. Enfim, eternizar a arte pelo conceito, pela descrição, pelo texto e pela ideia (espécie, forma) e não pela matéria.
Trata-se de um estilo subjetivo, mas voltada para o coletivo. Deviam treinar o desenho e focar na figura humana exigindo a domesticação dos sentidos, tornando-se copista de si mesmo.
“Amaneirou-se” significa descobrir uma forma e copiou-a igualmente. Portanto, arte referenciada na próxima arte (na cultura) e não natureza.
Representa a figura humana como muita spressatura, porém parecendo natural.
Miguelangelo não era maneirista; mas, tornar-se “pai do maneirismo” pela sua maneira de explorar a figura humana.
O interessante é que os maneiristas eram “amantes” e “copiavam” Michelangelo, que nunca copiou e nem repetiu nada.

MANEIRISMO: vem do italiano “di maniera” e significa uma obra de arte realizada à maneira do estilo do artista, e não ditada pela representação da natureza.

Maniera”: “man” (mãos), estilo – “stilus” (instrumento) no latim; portanto, marca pessoal, desenvolvida pela prática.

Em sua mais ampla e não menos importante concepção, o Maneirismo é equiparado a tudo que seja fantasioso, formalistas, saturação de coisas, alegórico, extravagante, inesperado ou bizarro.
A expressão de que a palavra deriva de “estilo”, e poderia implicar “estilizações” com sugestões de graça, refinamento e facilidade. Tal significação nos remete a uma obra de arte realizada conforme o estilo do artista, e não ditada pela representação da natureza.
Na pintura maneirista as figuras tremem e se torcem num “contrapposto” desnecessário. Os corpos são distorcidos, geralmente alongados, mas às vezes pesadamente musculosos. As cores são sombrias, aumentando a impressão de tensão, movimento e iluminação irreal.
Principais características:
• Composição em que uma multidão de figuras se comprime em espaços arquitetônicos reduzidos. O resultado é a formação de planos paralelos, completamente irreais, e uma atmosfera de tensão permanente.
• Nos corpos, as formas esguias e alongadas substituem os membros bem-torneados do renascimento. Os músculos fazem agora contorções absolutamente impróprias para os seres humanos.
• Rostos melancólicos e misteriosos surgem entre as vestes, de um drapeado minucioso e cores brilhantes.
• A luz se detém sobre objetos e figuras, produzindo sombras inadmissíveis.
• Os verdadeiros protagonistas do quadro já não se posicionam no centro da perspectiva, mas em algum ponto da arquitetura, onde o olho atento deve, não sem certa dificuldade, encontrá-lo.

IV – AUTORES REFERIDOS:


A instabilidade pessoal de alguns artistas maneiristas reflete em suas obras. Alguns artistas dessa época foram personalidades estranhas, com interesses insólitos, e algumas vezes mórbidos, além de excêntricos.
PONTORMO tornou-se emocionalmente desequilibrado: hipocondríaco obcecado pelo medo da morte morava sozinho numa casa exageradamente alta, que ele construiu para se isolar. Seu quarto, no sótão, era acessível apenas por uma escada portátil, que ele recolhia depois de subir; PARMIGIANINO abandonou a pintura no fim de sua curta existência e “barbado, de cabelos compridos e com uma aparência descuidada”, enveredou pela alquimia. Sua “Madona de pescoço comprido” ostentava distorções físicas e ROSSO (1494-1540); alega-se que morava com um macaco e desenterrava cadáveres porque o processo de decomposição o fascinava.

Nenhum comentário: