segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

RENASCIMENTO I

I – DADOS CRONOLÓGICOS:

O termo Renascimento é comumente aplicado à civilização européia que se desenvolveu entre 1300 e 1650. Ele sugere que, a partir do século XIV, teria havia na Europa um súbito reviver dos ideais da cultura greco-romana.

II – CONTEXTO HISTÓRICO-SOCIAL:

As transformações sofridas no final da Idade Média alteravam a vida econômica e política da Europa. O renascimento comercial e urbano, sobretudo no norte da Itália, proporcionou o desenvolvimento da burguesia possuidora de uma nova visão de mundo.

Esta nova visão cristalizou-se na mudança de mentalidade e dos padrões culturais, proporcionando o renascimento cultural e artístico.
Os ricos mercadores, sobretudo os italianos, investiram no momento cultural e artístico desenvolvendo uma ação de apoio às realizações culturais, conhecidas como mecenato.
Mas essa é uma visão simplificadora da História, já que, mesmo durante o período medieval, o interesse pelos autores clássicos nunca deixou de existir.
Dante, um poeta italiano que viveu entre os anos de 1265 e 1321, por exemplo, manifestou grande interesse pelos clássicos.
Nas escolas das catedrais e dos mosteiros, autores como Cícero, Virgílio, Sêneca e também muitos filósofos gregos eram estudados.
Nesse período ocorreram grandes avanços na área da Literatura, das Artes e das Ciências, sendo o ideal do Humanismo o móvel desse progresso e tornou-se o próprio espírito do Renascimento.

III – CARACTERÍSTICAS:

Num sentido amplo, esse ideal pode ser entendido como a valorização do homem e da natureza, em oposição ao divino e ao sobrenatural, conceitos que haviam impregnado a cultura da Idade Média.

No Renascimento, a preocupação com o rigor científico, com a racionalidade e a dignidade do ser humano (antropocentrismo) são características encontradas nas mais diferentes manifestações.
A cultura humanista (radical latino) ou o antropocentrismo (radical grego) são consequências do enfraquecimento da Igreja que perdia o seu poder político e à monetarização da burguesia que crescia no momento. Os monges, na maioria, analfabetos, copiavam as formas, mas não as entendia, trabalhando as iluminuras: ilustração de um livro, evangelho, escrituras, decoração dos textos sagrados etc.
Os feudos, por serem isolados, desencadeavam uma diversidade linguística.
A Igreja preocupa-se então, em recuperar o latim, buscando nos textos de Cícero, Horácio e Plínio, o conhecimento soterrado e a sua própria vida, surgindo assim, o conceito de autoria.
Cícero, político e orador do século I a.C. autor de “um homem humanístico”, propunha as seguintes disciplinas:

- Gramática (o falar correto)
- Retórica (arte de persuadir, convencer): assembléia, a judiciária e as eleições.
- Poesia (linguagem elegante, formalidade do discurso, formação de imagens mentais)
- História (construída de interpretações. Não há fatos, há versões de fatos)
- Moral (seguir os códigos de conduta. Diferentemente da ética, que é prática individual)

A arquitetura do Renascimento preocupou-se em criar espaços compreensíveis de todos os ângulos visuais, buscando uma ordem e de uma disciplina que superasse o ideal de infinitude do espaço das catedrais góticas. A ocupação do espaço pelo edifício baseia-se em relações matemáticas estabelecidas.
A perspectiva é o método que permite a representação de objetos tridimensionais em superfícies bidimensionais, através de determinadas regras geométricas de projeção.
Pela perspectiva linear, o artista representa um objeto tridimensional projetando-o sobre um plano a partir de um ponto - o ponto de fuga, que se encontra sobre o eixo óptico ou de visão, uma linha de horizonte imaginária. Todas as linhas de projeção da pintura convergem para esse ponto, que, apesar de poder não estar representado, tem uma relevante presença na estrutura da obra.
Os elementos mais distantes do olho são os que se encontram mais próximos do eixo de visão. Os objetos menores são interpretados igualmente como estando mais distanciados [Aumont, 1993, p. 41]. Contudo, não há uma equivalência inequívoca entre representações bidimensionais e o seu equivalente tridimensional. De fato, a uma mesma projeção podem corresponder diversos objetos tridimensionais [Aumont, 1993, p. 42].
A perspectiva linear baseia-se no modelo ocular, isto é, nas projeções sobre a retina (pelo que foi primeiramente designada por perspectiva naturalis). Uma perspectiva distinta é a geométrica, aplicada na pintura e na fotografia. Esta última resulta de uma convenção em parte arbitrária (donde a designação perspectiva artificialis). Na nossa percepção, a perspectiva linear está presente na maioria das vezes como uma perspectiva dinâmica, pois ao movermo-nos o nosso campo visual está em constante transformação, mas de uma forma que o cérebro interpreta como congruente [Aumont, 1993, pp. 42-43].
Outra técnica é a perspectiva atmosférica, que joga com variações de luz e cor. De forma a obter-se uma ilusão de profundidade, o artista emprega cores mais luminosas, contornos mais nítidos e textura mais espessa nos objetos mais próximos, sendo os mais afastados - que na tela são colocados mais acima - pintados com menos nitidez e normalmente com cores semelhantes às aplicadas no fundo. Isto porque a atmosfera terrestre, que contém poeiras e umidade, se interpõe e afeta a luminosidade dos objetos (deste modo, trata-se de uma técnica para pinturas de exterior) [Aumont, 1993, p. 43, pp. 63-64]. O "gradiante de iluminação" é uma relevante variável que fornece informação sobre a profundidade, como exemplifica a variação progressiva da luz sobre uma superfície curva [Aumont, 1993, p. 43]. A linha, por seu turno, pode também atribuir volume e profundidade, nomeadamente através do sombreado, como demonstram as gravuras de Dürer [Villafañe, 1992, p.104].

IV – ARTISTAS RENASCENTISTAS:

A. ARQUITETURA:

Para compreender melhor as ideias que orientaram as construções renascentistas, retomemos rapidamente a linha evolutiva da arquitetura religiosa.

No início, a basílica cristã imitava um templo grego e constituía-se apenas de um salão retangular. Mais tarde, no período bizantino, as plantas das igrejas complicaram-se num intrincado desenho octogonal. A época românica, por sua vez, produziu templos com espaços mais organizados. Já a arquitetura gótica buscou uma verticalidade exagerada, criando espaços imensos, cujos limites não são claramente visíveis.
No Renascimento, a preocupação dos construtores foi diferente. Era preciso criar espaços compreensíveis de todos os ângulos visuais, que fossem resultantes de uma justa proporção entre todas as partes do edifício.
A principal característica da arquitetura do Renascimento, portanto, foi à busca de uma ordem e de uma disciplina que superasse o ideal de infinitude do espaço das catedrais góticas. Na arquitetura renascentista, a ocupação do espaço pelo edifício baseia-se em relações matemáticas estabelecidas de tal forma que o observador possa compreender a lei que o organiza de qualquer ponto em que se coloque.

BRUNELLESCHI (1377-1446)

O arquiteto iniciador do ideal Renascentista foi Filippo Brunelleschi (1377-1446).

Grande intelectual de sua época: foi pintor, escultor, arquiteto, matemático, conhecedor da geometria e das poesias de Dante. Como construtor, realizou seus mais marcantes trabalhos: a cúpula da catedral de Florença (Igreja de Santa Maria Del Fiore), o Hospital dos Inocentes e a Capela Pazzi.
A Catedral de Florença foi iniciada em 1296 por Arnolfo di Cambio e possuía uma grande nave central e duas naves laterais que terminariam num espaço octogonal. Em 1369, as obras da catedral tinham terminado, mas o espaço para ser ocupado por uma cúpula continua aberto.
Brunelleschi iniciou a representação plana de objetos em três dimensões e tornou-se um dos mais importantes arquitetos da estética renascentista em Florença.
Em 1420, Brunelleschi projetou a abóbada sobre esse espaço de maneira tão espetacular que parecia ter sido concebida pelo mesmo arquiteto que projetou originalmente a catedral.
Brunelleschi pôs em prática um método original para a sustentação da cúpula, inventou as máquinas necessárias à construção e executou o projeto sem utilizar o cimbre, armação de madeira que servia de molde e suporte a arcos e abóbadas e era retirada depois de completada a obra.

Igreja de Santa Maria Del Fiore
 
Sua primeira e mais importante obra foi à construção da abóbada, a Duomo Chapel, da catedral de Santa Maria del Fiore, em Florença (1404-1420), que também lhe trouxe a definitiva consagração. Também conhecida como a cúpula do Duomo de Florença, seu criador concebeu uma perspectiva, um artifício geométrico que criava a ilusão de tridimensionalidade numa superfície plana e defendeu a técnica e seus princípios matemáticos em tratados.
Na Capela Pazzi, em Florença, construída por Brunelleschi parece testemunhar o potencial humano. Nessa obra, Brunelleschi alcançou a plenitude dos ideais renascentistas; “Já não é o edifício que possui o homem, mas este que, aprendendo a lei simples do espaço, possui a segredo do edifício.” (Bruno Zevi, “Saber Ver a Arquitetura, p.73)


Visão interna da Capela de Pazzi


O encontro com a perspectiva linear

 
Na primeira fase de sua carreira de arquiteto, Brunelleschi redescobriu os princípios da perspectiva linear, que, conhecidos por gregos e romanos, ficaram esquecidos durante toda a Idade Média. Restabeleceu na prática o conceito de ponto de fuga, e a relação entre a distância e a redução no tamanho dos objetos.
Seguindo os princípios ópticos e geométricos enunciados por Brunelleschi, os artistas da época puderam reproduzir objetos tridimensionais no plano com surpreendente verossimilhança.
O primeiro ponto que podemos elucidar quanto ao pensar o espaço segundo Brunelleschi é a sua descoberta e aplicação das leis da perspectiva linear. Haverá, a partir deste descobrimento, uma mudança cultural do modo de ver e do modo de representar, quando a expressão plástica adotará uma visão do espaço perfeitamente mensurável, construído cientificamente e representado segundo normas matemáticas.
Brunelleschi ao descobrir a perspectiva linear, será o primeiro arquiteto a pensar e conceber a arquitetura como espaço. Esta ciência irá superar os limites da prática pictórica e irá constituir a base nova das artes que têm o desenho como princípio (a pintura, a escultura, a arquitetura e a cenografia teatral).
Assim explica o conceito da perspectiva do seguinte modo: a perspectiva consiste em dar com exatidão e racionalidade a diminuição e o aumento das coisas, que resulta para o olho humano o afastamento ou a proximidade das casas, planos, montanhas, paisagens de todas as espécies.
Ao elaborar o conceito de perspectiva e aplicá-lo nas igrejas de Santo Espírito posiciona o ponto de fuga na imagem de Cristo, no centro do altar, colocando-o como o centro referência, para onde todos os olhos deveriam estar fixados. No entanto, surge uma questão interessante: quando abordamos, no início deste escrito, a influência das posturas de Galilei Galilei (1520-1591) quanto ao Renascimento, há em Brunelleschi um prenuncio do pensamento do grande cientista. Por mais que a imagem de Cristo no altar constitua o ponto de referência, como seria o sol em relação aos planetas, cada indivíduo ao estar posicionado dentro do espaço-igreja terá seu ponto de vista individual. Há uma centralidade espacial, porém não há um centro temporal, o que levará Brunelleschi, posteriormente, propor a igreja de plano central da Capela Pazzi.
A perspectiva, utilizando princípios matemáticos, tornou possível a representação de um espaço tridimensional a partir de uma superfície plana. A nova técnica de representação, conhecida como “perspectiva artificialis”, de rigorosa exatidão matemática, apresenta um método novo de concepção do espaço, de um espaço equivalente em todas as suas partes, homogêneo e constante. A “perspectiva artificialis” pressupõe um mecanismo da visão com um ponto único e imóvel, colocando um plano de abstração em respeito às condições naturais da visão, pois pressupõe uma visão mono-ocular e imóvel, ignorando a curvatura do campo visual, conhecida desde a antiguidade. A perspectiva linear constitui uma criação mental e abstrata, um “modo de ver” e de constituir o espaço.
Aprender a ver, aprender a dominar a técnica, apreender os aspectos sociais e culturais são requisitos indispensáveis para que o arquiteto possa dar vazão para o que há entre a razão e a ação. Para Brunelleschi faltava apenas o domínio de uma linguagem arquitetônica que pudesse refletir a ansiedade renascentista, visto que a arquitetura gótica já não seria representativa do “quatrocentto”. Surge a retomada de uma “língua morta”, ou seja, haverá o retorno do clássico, tão esquecido durante a Idade Média, e os olhos encaminham-se para o conhecimento da arquitetura greco-romana.

B. PINTURA:

A pintura do Renascimento confirma as três conquistas que os artistas do último período gótico já haviam alcançado: a perspectiva, o uso do claro-escuro e o realismo.

No final da Idade Média e no Renascimento, porém, predomina a tendência de uma interpretação cientifica do mundo. O uso da perspectiva conduziu a outro recurso, o claro-escuro, que consiste em pintar algumas áreas iluminadas e outras na sombra. Esse jogo de contrastes reforça a sugestão de volume dos corpos. A combinação da perspectiva e do claro-escuro contribuiu para o maior realismo das pinturas.
Outra característica da arte do Renascimento, em especial da pintura, foi o surgimento de artistas com um estilo pessoal, diferente dos demais.
Durante a Idade Media, como vimos, a produção artística era anônima. Isso ocorreu porque toda a arte resultou de ideias anteriormente estabelecidas — seja pelo poder real, seja pelo poder eclesiástico — as quais o artista deveria se submeter.
Com o Renascimento esse quadro se altera, já que o período se caracteriza pelo ideal de liberdade e, consequentemente, pelo individualismo. E, portanto, a partir dessa época que começa a existir o artista como o conceituamos atualmente: um criador individual e autônomo, que expressa em suas obras os seus sentimentos e suas ideias, sem submissão a nenhum poder que não a sua própria capacidade de criação.

PIERO DELLA FRANCESCA (1410-1492)

“Beleza geométrica”


Em Urbino, importante centro da civilização ocidental do período, localizado ao norte da Itália, foi projetado o Palácio Ducal de Urbino, por um artista anônimo.

Suas salas são arejadas, claras e devidamente proporcionais. As cidades imaginárias com perspectiva planejada, utilizando-se do escorço (redução dos ângulos).
Sabe-se que Piero della Francesca, um dos grandes pintores do Renascimento, trabalhou em sua decoração.
O mesmo pintor retratou em um díptico, o Duque Federico de Montefeltro, um grande chefe militar, inteligente e culto e sua esposa, Battista Sforza, causando entusiasmo aos pintores cubistas do século XX pela geometria utilizada: o rosto feminino assemelha-se a uma esfera, e o masculino, a um cubo.
Aliás, tal obra seria, no Século XX, de importância fundamental para o advento do Cubismo, pois foi objeto de estudos por parte de Picasso, Braque e outros, em função da construção quase geométrica dos rostos retratados.
Não apresentando aparentes emoções, a sua pintura resulta da combinação de figuras e uso de áreas de luz e sombra. Seu universo é representado de uma forma geométrica e estática.
Essa obra, formada por dois painéis de madeira, apresenta um aspecto interessante: embora cada um das personagens esteja isolado num dos painéis; a mesma paisagem, ao fundo, estabelece a unidade entre eles. As duas figuras foram pintadas de perfil e o artista deu-lhes tal densidade que elas parecem ganhar volume e relevo.




Batismo de Cristo


   Piero primou sempre pela criatividade em relação ao passado medieval, apresentando técnicas e temáticas inovadoras como, por exemplo, o uso da tela e da pintura a óleo, o retrato, a representação da natureza, o nu, e sobremaneira, a perspectiva e a criação do volume.



MASACCIO (1401 – 1428)

“Imitação do real”


O seu realismo era tão cuidadoso que ele parece ter a intenção de convencer o observador a respeito da realidade da cena retratada, como se pode observar em seus quadros Adão e Eva Expulsos do Paraíso, São Pedro Distribui aos Pobres os Bens da Comunidade e São Pedro Cura os Enfermos. Além disso, o pintor parece convidar o observador a também participar do que está representado na pintura, que observamos nas obras Santíssima Trindade e Madona com o Menino.

Uma de suas habilidades era transmitir a dramaticidade de uma situação por um olhar ou um gesto significativo, e suas técnicas sóbrias conferem um sentido real de luz e espaço.

A Trindade




O afresco, considerado por muitos como sua obra-prima, marca o uso sistemático da perspectiva linear, possivelmente desenvolvida com a ajuda de Brunelleschi. A obra apresenta três planos: no superior, a Trindade; no plano médio, a Virgem (a única a olhar para o espectador) e São João; no plano inferior, os doadores da obra, membros da Família Lenzi. Na base, o esqueleto, que representa todos os seres humanos, com uma inscrição: "Fui outrora o que você é, e sou aquilo em que você se transformará.".

A parede que é pintada e não o altar.



Adão e Eva Expulsos do Paraíso”

Adão e Eva Expulsos do Paraíso

Feita para a Capela Brancacci. Três séculos após sua criação, o Grande Duque da Toscana exigiu que fossem colocadas folhas para esconder a nudez das figuras. Nos anos de 1980, as folhas foram removidas e o quadro restaurado.




“Dinheiro dos tributos”


   Representa a história de São Pedro e o coletor de impostos. A importância da obra está na caracterização de Jesus como uma figura humana, com a mesma altura dos Apóstolos, uma rejeição à perspectiva hierárquica, que marcou a arte bizantina. Masaccio enfatiza os diferentes espaços com a clássica teoria da cor.

FRA ANGELICO (1387-1455)

“Realidade humana, busca da conciliação entre o terreno e o sobrenatural, sem manifestar angústia ou inquietação diante do mundo.”

Sua pintura, embora siga os princípios renascentistas da perspectiva e da correspondência entre luz e sombra, está impregnada de um sentido místico. É o caso, por exemplo, de O Juízo Universal e Deposição. O ser humano representado em suas obras não parece manifestar angústia ou inquietação diante do mundo, mas serenidade, pois se reconhece como submisso a vontade de Deus.

Em sua obra “Anunciação”, pintada entre 1433 e 1434, nota-se que ainda persiste a intenção religiosa. No entanto, a perspectiva e o realismo já são bastante evidentes. Aqui, as figuras ganham volume e as feições mais humanas, diferentemente do aspecto menos realista das personagens que aparecem nos quadros pintados anteriormente, e a anunciação do Anjo a Maria ambientada numa construção cujas linhas geométricas parecem abrigar a serenidade com que Nossa Senhora ouve a mensagem divina.



As figuras humanas ganham volume e feições humanas (mancha vermelha no canto do rosto, dando vida a Maria), evidenciando a perspectiva e o realismo.

Porém, apresenta dificuldades na interpretação: não se sabe o que está acontecendo e nem onde. Mas, percebe-se tratar da anunciação do Anjo a Virgem Maria (Espírito Santo sobre a cabeça de Maria) e é ambientado numa construção cujas linhas geométricas parecem abrigar a serenidade com que Nossa Senhora ouve a mensagem divina.
Podemos perceber no peito da Virgem, uma saliência oval que revela a sua gravidez.


PAOLLO UCCELLO (1397-1475)

“Fantasias medievais e a perspectiva geométrica”

Paollo Uccello procura compreender o mundo segundo os conhecimentos científicos do seu tempo e, em suas obras, tenta recriar a realidade segundo princípios matemáticos. 

Mas, por outro lado, sua imaginação corteja as fantasias medievais, o mundo lendário de um período que já estava se constituindo num passado superado. Essa característica de Uccelo pode ser observada no quadro “São Jorge e o Dragão”.
Além disso, outro aspecto importante de sua pintura é a representação do momento em que um movimento está sendo contido. No painel central do tríptico “Batalha de São Romão”, por exemplo, os cavalos parecem refrear o ímpeto de uma corrida que logo será iniciada
Utiliza-se das colunas laterais e de paisagens.
Em “São Jorge e o Dragão”, revela dois episódios da história de São Jorge: a vitória sobre um dragão que vinha aterrorizando a cidade e o resgate da princesa presa a ele. No céu, se forma um temporal. O olho do furacão, situado sobre a lança de São Jorge sugere a intervenção divina para levá-lo à vitória. Uccello usa a lança para enfatizar o ângulo pelo qual São Jorge ataca o dragão, ajudando a estabelecer um espaço tridimensional. As estranhas manchas de relva sobre o solo ilustram a obsessão de Uccello com a perspectiva linear e sua tendência de criar um padrão decorativo.

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