sexta-feira, 19 de novembro de 2010

SIMBOLISMO

I – DADOS CRONÓLOGICO:

Última década do século XIX.



II – CARACTERÍSTICAS:

Precursor do Surrealismo, o Simbolismo descartou o mundo visível, das aparências, em favor do mundo interno, da fantasia.
Movimento artístico e literário que teve como poetas MALLARMÉ e RIMBAUD e pintores como ODILON REDON e GUSTAVE MOREAU.
RIMBAUD afirmava que o artista devia ser perturbado para penetrar a verdade mais profunda por baixo dos sentimentos superficiais.



III – AUTORES REFERIDOS:



HENRI ROUSSEAU (1844-1910)


“Nada me põe tão feliz como contemplar a natureza e pintá-la. Imagine que, quando vou para o campo e vejo o Sol por todo o lado, e verde e flores, digo para mim: tudo isto é realmente meu!”


Homem simples, ex-cobrador de impostos (largou o emprego aos quarentas anos de idade para dedicar-se exclusivamente à pintura), cantava alto enquanto pintava (para erguer o “astral”) e às vezes se chocava com suas criações bizarras.
É difícil precisar o início do seu interesse pela pintura, mas sabe-se, no entanto, que deixa o trabalho de alfândega para se dedicar por exclusivo à arte em 1890. Anterior a esta data Rousseau luta pelo seu destaque como artista, sendo constantemente alvo de críticas aguçadas que o caracterizam de infantil e muito aquém das qualidades representativas que seriam de se esperar de um artista após a época de Monet.


“Passeio na floresta”, 1886.


ROUSSEAU acreditava que suas paisagens fantásticas, infantis, cheias de bichos estranhos e flores imensas, eram quadros realistas no estilo acadêmico.

Rousseau afirmou só ter pegado num pincel pela primeira vez quando já tinha 40 anos, ou seja, em 1884, mas este fato é de difícil comprovação, não só pelo fato de o seu gênero pictórico ser fácil de imitar, mas também pelo fato de, muitas vezes, o próprio efetuar alterações em obras já terminadas e de alterar a data de execução.
A reação à sua pintura é, no início, maioritariamente negativa. No entanto algumas vozes começam-se a pronunciar positivamente, chegando mesmo a comparar Rousseau com os pintores do Proto-Renascimento em Itália onde as noções de perspectiva espacial ainda estão no seu estado embrionário, mas que não deixam por isso de ter uma certa originalidade criativa. Já em 1886 Pissaro expressa a sua admiração ao ter contacto com as suas obras no salão dos independentes e Gauguin que, juntamente com Alfred Jarry (escritor) e Guillaume Apollinaire (escritor, poeta e crítico), o vai denominar de artista naïf (ingênuo) e primitivista pelo seu caráter autodidata, resultado da inexistência de formação acadêmica no campo artístico, pela recusa dos cânones da arte reconhecida até então e pela aparente ingenuidade grotesca.


“A encantadora de serpentes”, 1907

Esta simplicidade e aparente ingenuidade opõem-se, no entanto, à imagem de ambição que lhe é atribuída pelo público. Este seu caráter de personalidade ambígua espelha-se também na sua arte que, embora ingênua e infantil, retrata também por vezes uma certa malícia. Pode-se talvez pensar que Rousseau tenha encerrado em si um complexo de inferioridade devido às suas origens humildes e pelo fato de não ter tido acesso às mesmas oportunidades de um pintor acadêmico. Assim como ele se fecha em si próprio com o seu sofrimento interior, as suas pinturas são introvertidas e enigmáticas. Por outro lado, acredita firmemente nas suas capacidades e expressa tanto o seu orgulho como o seu desejo de se tornar o maior e o mais rico pintor francês, aproveitando todas as oportunidades que lhe surgem, mesmo quando é apelidado de palhaço. Já perto do final da sua vida, em 1908, conhece Picasso, que reconhece que a sua ingenuidade não é necessariamente sinônimo de inexistência de profissionalismo.


“Sonho”, 1910.

Com o tempo esta natureza torna-se cada vez mais complexa, uma forma de escape onde a fantasia e o fantástico ganham lugar num pano de fundo exótico. Rousseau começa a ganhar destaque ao mesmo tempo que as suas obras adquirem uma nova qualidade, uma densidade labiríntica de elementos e tonalidades, um novo nível de comunhão entre fantasia e realidade, ameaça e agressividade, mistério e erotismo.
Os temas sociais como “A Guerra”, que revelam não só a sua motivação oferecida à arte popular como também o seu claro nacionalismo baseado em ideais sócio-revolucionários.
“A Guerra”, 1894.
Por entre as diversas propostas formais do pós-impressionismo, a sua pintura surge despida de todo o requinte que caracteriza a pintura francesa do impressionismo. No caso de Rousseau a razão da obra é o objeto nela representado. Sobre a superfície plana da tela são colocados elementos desligados do seu contexto espacial, que flutuam, que são nada mais que reproduções exatas e detalhadas captadas pelo seu olhar livre de uma formação acadêmica artística, ou seja, liberto da pressão cultural. Rousseau capta a sua realidade empiricamente, deixando-se guiar pelo seu sentimento e pela sua noção própria de equilíbrio de composição. Sabe-se, no entanto, que tomou contacto com a técnica da perspectiva ao ter copiado obras onde se dava uso à técnica, sendo possível que a sua arte fora destes cânones não tenha sido mais que uma decisão consciente da captação intuitiva da realidade, relegando para último plano o seu próprio racionalismo.
Rousseau faz assim uma representação frontal dos seus temas tentando ao máximo reproduzir o pormenor, fazendo quase que uma enumeração das características visíveis de determinado objeto, expondo-as claramente. Esta minuciosidade é reforçada pelo contorno preciso das figuras: todas elas são delimitadas e têm o seu espaço próprio conduzindo a que esta narração de características impregne a pintura de uma forte estaticidade e inércia. No fundo, este realismo extremado transforma os objetos em símbolos, que se vão afastando cada vez mais em direção ao abstracionismo, a uma realidade poética, vista através dos seus próprios olhos e da sua sensibilidade, suportando a sua convicção de que cada artista deve ser livre para obedecer à sua força criadora individual.
Do mesmo modo intuitivo, Rousseau utiliza a técnica que mais se adapta a determinado objeto, sendo que numa mesma obra as pinceladas podem variar de pontos, a superfícies de cor ou a linhas. Em especial tem importância a relação entra as cores e como elas se contrastam ao longo da tela, de elemento para elemento. Em grande parte do seu repertório pictórico é evidente o gosto pelas combinações entre preto, vermelho, branco e verde.


“Autoretrato”, 1908.

Suas figuras são chapadas e a escala, a proporção e a perspectiva são deformadas, causando um ar de mistério e de paisagens de outro mundo.


“A cigana adormecida” (1897)


Pintura fantástica com paisagens primitivas.
Seu caráter hipnótico e visionário, a sua distorção sutil e a apresentação direta, apontam para as primeiras naturezas-mortas cubistas de Picasso.




ODILON REDON (1840-1916)


“Autoretrato”

“Sou guiado, como num tormento, para criar alguma coisa imaginária”.

As criaturas imaginárias de REDON são ainda mais bizarras que as de ROUSSEAU: insetos macabros, monstros amebóides, como seus ciclopes sem nariz, plantas com cabeça humana e um balão que é simultaneamente um globo ocular.
“Minha originalidade consiste em fazer viver seres improváveis”, dizia REDON, “colocando...a lógica do visível a serviço do invisível.”

Considerado atualmente uma das maiores expressões plásticas do Simbolismo, Redon permaneceu desconhecido da crítica e do público até os 45 anos. Desde adolescente, produzia gravuras e desenhos a carvão com temas macabros e fantásticos, vinculados à vanguarda literária. Na década de 1880, porém, foi descoberto por escritores como Stéphane Mallarmé e começou a tornar-se famoso.
À medida que sua obra era cada vez mais difundida, os jovens artistas plásticos mostraram-se sensíveis à sua nova técnica e às suas imagens visionárias, chegando a considerá-lo um líder. A partir do final do século XIX, o artista abandonou a técnica monocromática e passou a dedicar-se ao pastel e ao óleo, produzindo obras gloriosamente coloridas, de composição sempre fantástica e inusitada.

"Os desenhos a carvão captavam o terror do sonho atormentado pela congestão. Aqui, era um enorme dado de jogo no qual piscava uma pálpebra triste; lá, paisagens secas, áridas, planícies calcinadas, terremotos, erupções vulcânicas que iam desenhando nuvens em revolta, céus estagnados e lívidos; às vezes também os temas pareciam inspirados nos pesadelos da ciência, remontando a épocas pré-históricas: uma flora monstruosa cobrindo rochas, e personagens nos quais a cabeça simiesca, a espessura dos maxilares, as arcadas superciliares salientes, a fronte fugidia e o alto do crânio oculto recordavam a cabeça ancestral, a cabeça do primeiro período quaternário, a do homem frutívoro e privado da palavra, contemporâneo do mamute, do rinoceronte de narinas divididas e do grande urso. (...) Esses desenhos iam além dos limites da pintura, introduziam um fantástico muito particular, doentio e delirante. (...) Tomado de um vago mal-estar diante desses desenhos, como diante de alguns Provérbios de Goya que eles lembravam, como também ao final de uma leitura de Edgar Poe, da qual Odilon Redon parecia ter transposto, para uma arte diferente, as miragens de alucinações criadas pela vertigem do medo e do mistério, eu sentia uma tristeza fascinante, e uma desolação lânguida emanava de meus pensamentos."

O trecho acima, extraído do romance À Rebours (Pelo Avesso), que o escritor simbolista francês Joris-Karl Huysmans (1848-1907) publicou no começo da década de 1880, é uma das muitas passagens da obra dedicada à descrição dos desenhos de Odilon Redon, então admirados pelos escritores de vanguarda e praticamente desconhecidos no mundo das artes plásticas. Avesso aos padrões dominantes da estética naturalista e impressionista, que acusava de limitar-se apenas à descrição do mundo exterior, Redon dedicou-se por várias décadas às gravuras e aos desenhos a carvão, criando imagens visionárias, que ilustravam a obra de escritores malditos como Edgar Allan Poe e chegavam a antecipar o Surrealismo.


“The Crying Spider”, 1881


“Beatrice”,1885.


“Cactus Men”, 1881

REDON foi influenciado pela poesia perturbadora de Poe e Baudelaire, produzindo obras que evocam um mundo alucinatório.
Sua técnica concentra-se em sugerir e não, nomear. Apóia-se em cores e linhas radiantes, para dar forma a suas visões eróticas, perversas.


“Buda”, 1905.


“Silêncio”


“A queda de Ícaro”


“Orfeu”, 1898.


“Orfeu”, 1900.

REDON usou cores iridescentes para evocar um mágico reino dos mortos.
A pintura é uma alusão ao músico da mitologia grega, sua cabeça decepada flutua ao lado de um fragmento da lira, que perdeu sua amada Eurídice. As telas de REDON refulgem em cores, sobretudo nos amontoados de flores estranhas, que são sua assinatura.



ALBERT PINKHAM RYDER (1847-1917)


“O artista deve viver para pintar”, ele dizia, “e não pintar para viver”

RYDER era leitor de Poe e pintava quadros de sua imaginação usando formas simplificadas e luz amarelada para criar obras de estranha intensidade.
Vivendo entre o lixo e a desordem, o artista pintava um mundo de sonho que contorcia a realidade.
“De que vale a cor exata de uma nuvem de tempestade”, perguntava ele, “se a tempestade não está nela?”
Procurando inspirar-se na natureza, observava atentamente o céu e o mar, mas seus quadros eram intencionalmente parcos em pormenores, para criar o sentimento místico que ele pretendia.
Suas cenas marítimas sumamente subjetivas refletem seu sentimento do desamparo humano ante as forças da natureza.


“Morte num cavalo branco”


É o seu mais famoso quadro. Uma perigosa cobra se enrodilha no primeiro plano, enquanto uma figura espectral segurando uma foice atravessa a galope uma paisagem desolada.

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