segunda-feira, 29 de novembro de 2010

MARINA ABRAMOVIC

PERFORMANCE



"Para mim só existe performance se existe vida. Documentação não é necessária, livros com registros não são vida. Por isso criei a série Seven Ease Pieces (Sete Peças Fáceis), uma seleção de trabalhos da década de 70 que posso refazer eu mesma ou que artistas pedem autorização para interpretá-las", diz.
Marina Abramovic nasceu em Belgrado, em 1946. É uma performer que começou sua carreira no início dos anos 70. Ativa por mais de três decadas, ela recentemente começou a se descrever como a “Avó da arte da performance".
Tendo atingido o ápice de sua carreira, Marina Abramović é descrita por James Westcott, que prepara sua biografia, como a mais importante performer atual. Seu diferencial, segundo Westcott, é ser parte artista e parte atriz. “Tanto quanto ser uma performer carismática, Marina também possui um apurado senso estético. Ela é uma mestra em criar imagens intensas que irão permanecer por muito mais tempo do que a duração das performances.” declara Westcott.


OBRAS:

Blending-In Coats (jalecos brancos de algodão)

Time Energizer (estruturas de alumínio com ímãs)

Soul Operation Table (alumínio, neon, telas de algodão colorido)

Rejuvenator of the Astral Balance (cadeira, metrônomo)

Black Dragon (quartzo azul, quartzo rosa, hematita, quartzo verde, quartzo hialino)

Reprogramming Levitation Module (flores de camomila desidratadas, banheira de cobre, quartzo)

Waiting Room / Room for Departure (ferro, quartzo negro, lapis-lazúli, quartzo hialino, crisocola)

Inner Sky (ferro, geodo de ametista)

Chair for Departure (ferro, ametista)

Red Dragon (cobre oxidado, quartzo rosa)

White Dragon (cobre oxidado, obsidiana)

"A performance é um elemento básico da minha obra, ela pode acontecer em diferentes níveis. Nessa exposição, me importa a experiência do público, ele não estará como um voyeur, usará sua concentração e energia para interagir com os trabalhos".
O trabalho de Marina Abramović subdivide-se em duas partes: “Corpo do Artista”, em que a performance é executada por ela mesma, e “Corpo Público”, no qual ela pede ao público que participe da performance.

“Nós não ensinaremos só os artistas; nós também queremos educar o público.”
O trabalho da Abramovic explora a relação entre a performer e o público, os limites do corpo, e as possibilidades da mente colocando em risco a própria vida em algumas obras como: em “Rhytm” (1974), trabalho no qual a artista se deita sobre uma estrela de cinco pontas em chamas e “House” (2002), no qual permaneceu 12 dias sem comer na galeria Sean Kelly, em Nova York.
Na segunda metade da década de 1990, afetada pelos conflitos dos Balcãs, sua terra de origem, para as questões da Sérvia e Montenegro, realiza a obra que lhe rendeu o Leão de Ouro em Veneza, “Balkan Baroque” (1997), no qual sentada sobre uma pilha de ossos de vaca, a artista, durante 6 horas de quatro dias seguidos, limpa-os com água, sabão e uma escova de metal, arrancando-lhes os últimos pedaços de carne e entoando algumas canções originárias da Sérvia e das ex-repúblicas Iugoslavas.

“Uma das razões por que faço essa performance de longa duração no século XXI, é também uma reação à geração mais nova, porque ela se tornou uma espécie de vítima da vida apressada. Tudo tem que ser produzido para esse ideal da vida corrida, de forma que possa ser rapidamente consumido. E eu acho que nos tornamos vítimas também, a arte, o corpo, esse tipo de coisa, porque a arte é consumida rapidamente como qualquer outro produto, como qualquer outra mercadoria.”


Na primeira parte da performance realizada em 1973, a atriz, Marina Abramovic, utilizou 10 facas e um gravador. Sempre que se cortava a atriz trocava de faca. No final, Marina escutou a gravação prestando atenção em seus erros (momentos em que se cortou), e no ritmo em que usava a faca, identificáveis pelos sons. Repetiu então, a sua performance, na segunda parte, no mesmo ritmo cometendo os mesmo erros que cometeu na primeira parte. Assim, os erros cometidos no passado voltam a ser cometidos no presente.



“Balkan Erotic Epic” (2005) é parte da grande retrospectiva, “Balkan Epic”, apresentada pela primeira vez em Janeiro de 2006, no Hangar Biccoca, em Milão. Em “Balkan Epic”, a cultura pagã da região balcânica é foco central da investigação de Abramovic. A mostra revela como o erotismo, por meio de rituais descobertos pela artista em manuscritos dos séculos 14, 15, 16 e início do 19, estava profundamente enraizado na cultura sérvia desde os tempos medievais.


Esses textos apontam como os órgãos sexuais femininos e masculinos representavam para os camponeses instrumentos de cura, de prevenção de doenças, de fertilidade, uma forma de comunicação com os Deuses.

“Pensei que seria bem interessante encenar estes rituais que nunca foram encenados anteriormente - existem apenas descrições - para compreender como os observamos atualmente, e tentar conectar este entendimento bastante primordial da sexualidade à compreensão atual”, ressalta Abramovic.
“Balkan Erotic Epic” é formado por uma instalação de sete vídeos, nos quais a artista retoma esses rituais pagãos sob um olhar contemporâneo. Há homens vestidos em trajes tradicionais, com ereção, olhando para a câmera.

“São imagens que falam de orgulho nacional, energia muscular e energia sexual, como uma causa para a guerra, para desastres, mas também para o amor”, assinala.
Há homens copulando com a terra, como se fossem amantes, mulheres massageando os seios enquanto contemplam o céu, encharcadas pela chuva, cobertas de lama, com a vagina abertamente exposta para a terra.




Em “Ulay e Marini” dois artistas estão nus, junto a uma porta, na qual os visitantes tinham que passar por eles. Temos o limite da resistência do corpo e a relação com a sexualidade, com a orientação sexual e com o toque.


A performance foi apresentada pela primeira vez em 1977 em Bolonha, Itália, por Marina e o então marido Ulay.




   Em “The lips of Thomas” (“Os lábios de Tomás” 1975-1997) a artista faz um corte em seus lábios e fica sangrando, representando o símbolo da Ioguslávia.




Marina Abramovic performing Gina Pane's The Conditioning (1973).









   Durante a performance Abramovic fica sentada em uma cadeira, intacta, imóvel, em silêncio, com poucos movimentos e/ou expressões. O visitante é convidado a sentar-se em frente à artista, por quanto tempo desejar ou suportar. A única troca é o olhar profundo de Abramovic. Os visitantes são parte integrante desta performance, cada pessoa é fotografada, deixando registrada sua expressão e também o tempo que ficou diante da artista. O resultado é uma experiência única da sensibilidade humana, alguns demonstram derradeira emoção, chegando a chorar, outros são atônicos ou simplesmente acham graça da situação e soltam um sorriso.





   “Você está lá, e esquece o tempo - essa é a razão principal.”



A performance contemporânea mudou muito em relação ao seu surgimento nos anos 70?


Sim. Sofreu uma mudança cultural e tecnológica muito grande. Nos anos 1970, tínhamos uma forte influência da arte conceitual e nos anos 1980 esse tipo de arte sofreu um estresse por uma pressão do mercado da arte. Muitos a abandonaram para fazer uma arte mais “tradicional”. Eu sou uma das poucas da minha geração que continuaram atuando dentro dessa área. A performance, ao contrário da fotografia e do vídeo, só entrou para o circuito dos grandes museus recentemente. O MoMA e o Guggenheim são dois exemplos, ocorridos há pouco tempo, de espaços que tiveram mostras dedicadas à performance. A performance está se tornando uma arte “mainstream”.




Em que medida vivemos uma “sociedade da performance”?

Com o avanço das tecnologias, as pessoas têm um interesse pelo voyeurismo intensificado. É como se estivéssemos sempre olhando uns aos outros, e a televisão também teve um papel nisso. Sim, vivemos uma sociedade performativa nesse sentido.

Como foi sua relação direta com o grande público no MoMA?

Foi uma experiência que mudou a minha vida. Por causa desse trabalho cheguei à conclusão de que a simplicidade é um dos elementos mais importantes dentro da arte. Esse trabalho é um dos mais coesos e simples que fiz, são apenas duas cadeiras e eu. Foi um momento de reflexão muito grande. Além do mais, acho que foi uma das minhas performances que mais envolveram a participação do público.

A arte da performance sobreviverá ao corpo, através de reencenações e de documentações?

De certa forma isso já acontece. Temos, por exemplo, artistas performáticos que trabalham apenas em ambientes virtuais. Eu, inclusive, concedi permissão para esses artistas reencenarem minhas performances dentro do Second Life. Mas a experiência do corpo em sua essência vai continuar, apesar de ela ganhar novos elementos como, por exemplo, as novas tecnologias.






Um comentário:

Vânia Dutra de Azeredo disse...

Nossa, seu blog é um mergulho na cultura. Vou voltar para ler detalhadamente todas as considerações e perspectivas sobre arte, literatura e congêneres.